Quadra da Acadêmicos da Rocinha vai sediar o primeiro Baile do Passinho

Depois de conquistar a cidade, o passinho faz sua primeira festa dedicada exclusivamente ao gênero que nasceu nas comunidades

Por daniela.lima

Rio - A arte parece não parar de pulsar na favela. E o passinho, surgido nas comunidades cariocas, reafirma isso. O movimento, que integra a cultura funk, mas tem seus próprios elementos e valores, ganhou espaço na mídia, em 2011, após a primeira Batalha do Passinho. Em maio deste ano, a final da competição, que é uma febre entre os jovens das periferias, foi parar no ‘Caldeirão do Huck’, da Globo. E no sábado acontece a primeira festa exclusiva do movimento: o Baile do Passinho, que também tem edições no dia 30 e em 14 de dezembro, é realizado na quadra da Acadêmicos da Rocinha. 

Quadra da Acadêmicos da Rocinha vai sediar o primeiro Baile do PassinhoCarlo Wrede / Agência O Dia


“O passinho é a ponta do iceberg de uma cultura ampla, que tem a ver com DJs, dança e comportamento. É a maior novidade estética do Rio de Janeiro das últimas décadas. Demoramos a perceber a importância das coisas quando somos contemporâneos delas. E o baile pode contribuir para o fim do preconceito e o reconhecimento do passinho”, afirma Rafael Dragaud, idealizador e diretor-geral do evento.

O baile tem uma série de ações que englobam o universo do passinho. Haverá o Show dos Bondes, o Concurso Diva e Divo, e a Batalha dos Barbeiros. Para divulgar a festa, que é patrocinada por uma marca de refrigerantes, Rafael Dragaud formou o grupo Dream Team e dirigiu o vídeo viral ‘Todo Mundo Aperta o Play’. O clipe virou um sucesso e o grupo, que também vai se apresentar no Baile do Passinho, está com a agenda lotada de shows.

“Selecionei pessoas criativas, com senso de equipe, e ensaiamos uns dois meses e meio a coreografia. O grupo está surgindo e vai lançar a música ‘O Passinho Pianinho’ no baile”, conta Dragaud.

Diretor musical da festa e integrante do Dream Team, Rafael Mike reforça a importância do movimento para os jovens das comunidades. “É o novo futebol da favela. Os moleques deixaram de querer ser o dono do tráfico para dançar passinho. É uma música deserotizada e que não faz apologia ao crime. O passinho são os velhos passos do funk com voracidade e fome de se adaptar”, diz.  

Lellêzinha lembra que sofreu preconceito quando começou a fazer o passinhoDivulgação


MESTRES DO PASSINHO

O campeão da 'Batalha do Passinho', Hiltinho faz parte do Dream Team. O dançarino, que ganhou o prêmio de R$ 20 mil no concurso que teve final no 'Caldeirão do Huck', conta que sua vida mudou.

"Me reconhecem na rua e a mulherada agora fica atrás de mim", diz ele que tece elogios a
Lellêzinha, a cantora do grupo. "Ela é nossa rainha, nossa diva. Canta e dança muito", afirma o
morador de Nova Iguaçu.

Aos 16 anos, Lellêzinha lembra que sofreu preconceito quando começou a fazer o passinho, aos 11 anos: "Me chamavam de sapatão". Agora, ela, que é fã de Beyoncé, é inspiração para as meninas e se dá bem com Bolinho Fantástico, Diogo Breguete, Rafael Mike, Pablinho Fantástico e Rene Fantástico, que completam o grupo.

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