Por daniela.lima

Rio - Ney Matogrosso é sujeito estranho, como já deixou claro no título de LP de 1980. ‘Atento aos sinais’, CD que o cantor lança este mês com o registro de estúdio de 14 músicas do roteiro do show homônimo, está impregnado dessa estranheza. E, por isso, se impõe como um dos grandes discos de Ney e do ano. Produzido por João Mário Linhares e Sacha Amback, o álbum capta as urgências urbanas e os climas de show provocante, ‘indie’. 

Ney Matogrosso lança o disco ‘Atento aos sinais’, gravado em estúdioDivulgação


Pontuado por metais em brasa, tocados pelo trompetista Aquiles Moraes e o trombonista Everson Moraes, o disco reflete o calor do show e das ruas. Cantada por Ney desde a estreia do show, antes dos protestos, ‘Incêndio’ (música de Pedro Luís, de 1992, da banda punk Urge) soa como trilha das efervescentes manifestações sociais por conta do refrão ‘Incêndio nas ruas!’. Música de Arnaldo Antunes e Lenine que abre o disco, ‘Rua da passagem’ (1999) também espelha o caos urbano cotidiano.

‘Atento aos sinais’ é CD caloroso, envolto em sensualidade em ‘Freguês da meia-noite’ (música do ‘rapper’ Criolo, de 2011) e no arremate de ‘Isso não vai ficar assim’ (Itamar Assumpção, 1986). Mas abre espaço para a delicadeza de ‘A Ilusão da casa’ (Vitor Ramil, 2000), canção introduzida pelo piano de Sacha Amback.

Antenado, Ney dá voz a músicas do grupo carioca Tono (‘Samba do blackberry’ e ‘Não consigo’, de 2010) e reitera a aposta no (ótimo) compositor Dan Nakagawa, cujo tema ‘Todo mundo o tempo todo’ reflete a urgência e o calor do CD.

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