'Chacrinha' perde espaço e público delira mesmo é com as chacretes

Preparação das dançarinas é exaustiva e, segundo elas, ainda há muito preconceito inclusive no mundo da dança

Por nicolas.satriano

Rio - A música-tema da abertura de seu programa na televisão dizia que “Abelardo Barbosa está com tudo e não está prosa”. Mas no espetáculo ‘Chacrinha — O Musical’ (em cartaz no Teatro João Caetano, no Centro) quem está com tudo mesmo não é o protagonista, vivido em sua fase adulta por Stepan Nercessian, e sim as chacretes e suas deliciosas curvas.

“A primeira vez que experimentei aquele collant cavado como os que elas usavam, foi um choque. Me senti praticamente nua!”, revela Livia Dabarian, a Rita Cadillac da trama. “Mas logo eu comecei a me acostumar e hoje, quando visto, me sinto muito mais bonita, mais gostosa, muito mais mulher! O corpo fica muito atraente”, avalia. Rita protagoniza um dos auges do espetáculo, em “um número de pura sensualidade”, conforme descreve Livia.

Completam o time das assistentes de palco (os nomes, criados pelo Velho Guerreiro, são ótimos!): Gracinha Copacabana (Paula Sandroni), Fernanda Terremoto (Laura Carolinah), Índia Potira (Leilane Teles), Loura Sinistra (Stephanie Serrat) e Sarita Catatau (Luiza Lapa). Cada uma passou por um processo pessoal de adaptação até conseguir ir colocando, aos poucos, o corpo de fora.

As chacretes de ‘Chacrinha%2C O Musical’Bruno de Lima / Agência O Dia

“Eu fiz o musical ‘Hair’ e tinha uma cena em que ficava nua, mas era algo mais artístico, em uma penumbra. Aqui é muito mais difícil, a gente tem que dançar, rebolar e sensualizar o tempo todo, e no centro dos holofotes”, compara Stephanie ‘Loura Sinistra’ Serrat.

As chacretes deixam muito marmanjo babando, mas quem se dá bem mesmo são os namorados das garotas. Leilane conta que agora tem que levar a Índia Potira para casa. “Logo depois da prova de roupa, mostrei para o meu namorado uma foto minha vestindo o maiô e ele pediu várias vezes para eu levar para casa e usar com ele”, alegra-se ela.

Elas concordam que, hoje, as dançarinas dos programas de auditório, como o ‘Domingão do Faustão’, poderiam ser “as novas chacretes”. “Mas o preconceito que existia com elas ainda existe”, reclama Leilane. “E não vem só de fora, mas inclusive de dentro do mundo da dança. Conheço dançarinos que consideram um trabalho menor. Até quando eu contei que interpretaria uma chacrete ouvi críticas.”

Elas estudaram bastante as chacretes, através de vídeos, fotos e, eventualmente, até com as próprias. “Conversei muito com a Rita Cadillac, ela me deu muitas dicas, veio na estreia, subiu no palco, dançou com a gente, foi demais”, emociona-se Livia.

Com tanto material apurado, as meninas atestam quase em uníssono: ser dançarina de programa de auditório está longe de ser um trabalho menor, exige uma preparação intensa e é muito cansativo. 

“As pessoas não fazem ideia do que é ser uma chacrete! Tem que ter uma energia enorme. Nosso coreógrafo está sempre nos provocando, pedindo mais energia, mais carisma. Rebola até o chão dez vezes e depois me diz se é fácil”, desafia Livia.

“Quer uma dica de beleza? Faça o musical ‘Chacrinha’ e emagreça em poucos dias!”, brinca. “É um trabalho pesado de agachamento, abdominal e aeróbico”, completa Luiza Lapa.

Imagine então como era a rotina das chacretes de verdade, antigamente. “Soube que elas passavam sete horas gravando dentro do estúdio e, pior, que o Chacrinha tinha alergia a ar-condicionado!”, relata uma incrédula Stephanie. “Mesmo seminuas, a gente passa um calor danado dançando com aqueles refletores em cima. Isso aqui é uma academia!”, define.

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