Rio - A vontade de pesquisar a vida de Assis Valente, autor da dramática marchinha de Natal ‘Boas Festas’, não surgiu do nada para o jornalista baiano Gonçalo Junior, que lança a biografia do compositor, ‘Quem Samba Tem Alegria’ (Ed. Civilização Brasileira, 644 págs., R$ 65). Sua família foi marcada por uma história parecida com a de Assis, que se suicidou em 1958. “Um tio meu se matou. Meu pai, que impedira duas tentativas dele, citava o exemplo do Assis para dizer que ninguém deveria fazer isso”, recorda Gonçalo, hoje radicado em São Paulo.
O currículo do autor de ‘Brasil Pandeiro’ (redescoberta pelos Novos Baianos em 1972, no clássico ‘Acabou Chorare’) incluía uma tentativa de suicídio em 1941, quando se jogou do Corcovado, de uma altura de 80 metros. Gonçalo soma à roda viva de problemas do compositor o abuso de cocaína e álcool. É o que teria sido a verdadeira razão de sua ruína, além de uma paixão recolhida por Carmen Miranda, que gravou várias músicas suas. Mas não toca no tema de sua suposta homossexualidade, como a biografia ‘A Jovialidade Trágica de José Assis Valente’, de Francisco Duarte Silva e Dulcinéa Nunes Gomes, colocara antes.






