Mauro Ferreira: Visão chique do brega da 'ovelha negra'

Músicas obscuras da obra inicial de Rita Lee ganham belo tratamento no CD da cantora Andreia Dias

Por karilayn.areias

Andreia Dias lança ‘Prisioneira do amor’%2C CD feito com Tim BernardesDivulgação

Rio - Rita Lee brincou de ser brega ao gravar o seu primeiro disco solo em 1970, ‘Build up’. Lançada neste LP, a música que batiza o quarto álbum da cantora paulista Andreia Dias, ‘Prisioneira do amor’, parodia canções rotuladas como cafonas pelo teor sentimental das letras e arranjos. Andreia aborda no CD músicas dessa fase inicial de Rita.

Lançado hoje pela gravadora Joia Moderna, do DJ Zé Pedro, ‘Prisioneira do amor’ dá tratamento chique a dez músicas gravadas por Rita num período de dez anos que vai de 1968 a 1978. A única música mais conhecida é ‘Ovelha negra’ (1975), gravada com melancolia condizente com o tom da letra.

Produtor do CD, Tim Bernardes é o responsável pela contemporânea abordagem pop psicodélica desse repertório inicial de Rita (parcialmente composto por Élcio Decário). Feito sob a direção artística de Marcus Preto, o disco joga luz sobre músicas raras como ‘Glória ao rei dos confins do além’ — música gravada pelos Mutantes em 1968 para LP de festival — e a inédita ‘Bad trip’, música de 1973, gravada em disco arquivado e nunca lançado. Era a época em que Rita formava a dupla Cilibrinas do Éden com Lúcia Turnbull. Destaque do disco, pelo clima paranoico sugerido pelo arranjo psicodélico de Tim Bernardes, ‘Bad trip’ seria reformulada por Rita e viraria ‘Shangrilá’, hit de 1980.

‘Prisioneira do amor’ também liberta os versos censurados de ‘Beija-me amor’, tema de 1972. É a primeira gravação da música com a letra original. O tom folk de ‘Tempo nublado’ desanuvia essa música de 1970, ano também de ‘Viagem ao fundo de mim’, tema ambientado em clima espacial, etéreo.

O disco em si é viagem conduzida com propriedade por Tim Bernardes, líder do (superestimado) grupo paulista O Terno. Com Andreia Dias, a viagem é agradável.

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