Bia Willcox: Pessoas difíceis?

'Se se tem caráter, tem-se também uma experiência típica própria, que sempre retorna'

Por roberta.campos

Rio - "Se se tem caráter, tem-se também uma experiência típica própria, que sempre retorna.” Um conselho de Nietzsche que, lido num dia não muito otimista, me encheu de esperança. Começo a crer que chamar Nietzsche de pessimista é intriga da oposição. Acreditar que ‘comprar a briga’ e se posicionar pelo que se acredita é algo que compensa.

A luta por manter-se ética, coerente e o menos hipócrita possível é hercúlea. Basta ter um senso de justiça e lealdade mais aguçado que a média, para ser uma pessoa ‘difícil’. Preocupa-se mais com a reputação do que com o caráter, afinal vivemos uma era em que a imagem vale mais que mil palavras. E não é uma preocupação nova. Sócrates dizia que a boa reputação se conseguia através do esforço em ser aquilo que desejamos parecer e não ser.

O mundo é cheio de preocupados em parecer — gente em busca da aceitação universal, não opina, tenta agradar a todos e, no final das contas, quase passa desapercebido. Sim, vivemos tempos de muita opinião, vide as redes sociais e seus tribunais constantes de julgamento. Sou chamada e marcada nas redes por ouvintes e leitores meus para simplesmente opinar sobre algo que aconteceu ou foi dito.

Ao contrário dos fáceis que evitam confronto, as pessoas de posicionamento têm algo que ninguém lhes tira: um respeito viral. Uma admiração crescente, mesmo sendo difícil de tragar. Como disse Nietzsche, vivem uma experiência que sempre retorna.

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