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MC Beijinho conta sua história e revê seu passado antes do sucesso

Funkeiro é sucesso no Youtube com a música 'Me Libera Nega'

Por bianca.lobianco

Rio - MC Beijinho conseguiu. Impedido de viajar pelo país com seu hit ‘Me Libera Nega’ por causa da acusação de roubar celulares de dois adolescentes na orla de Salvador, o compositor baiano de 19 anos já pode sair de sua cidade natal para fazer shows. 

MC Beijinho%3A sucesso depois de prisãoDivulgação

“Meu advogado ajudou e posso sair da comarca. Quero ir pro Rio!”, avisa por telefone, direto de Salvador, com fala mansa e sotaque forte. Em sua terra, a agenda é movimentada: sobe sexta no trio de Daniela Mercury, no Barra-Ondina, e ganha um prêmio do YouTube. No sábado, estreia seu trio no circuito Campo Grande. Já segunda, estreia a liberdade indo a São Paulo, participar do show de Fióti, irmão e empresário de Emicida.

A história de Ítalo Gonçalves, nome verdadeiro de Beijinho (que recebeu o apelido dos fãs por causa dos versos de ‘Me Libera Nega’: “Vou te dar um beijo e depois te dar mais um”) nunca mais foi a mesma após os problemas que enfrentou com a polícia, em novembro. Detido pelo furto dos celulares, foi parar no camburão, algemado.

Entrevistado pelo ‘Balanço Geral’ da Record local, no camburão, ouviu do repórter o pedido para que cantasse uma música sua — e cantou ‘Me Libera Nega’. Em pouco tempo, a música virava hit nas redes sociais, com direito a Caetano Veloso fazendo uma versão no violão, em um vídeo publicado em seu Facebook. O vídeo oficial da música já tem três milhões de views.

DOIS DIAS
Beijinho passou 48 horas na cadeia por causa do furto. Ao ouvir o pedido do repórter, ficou na dúvida se deveria cantar a canção ou não. Cantou “pensando em todos os que conheciam a música”, esclarece. “A prisão foi uma situação difícil, dolorosa. Uma coisa feia na minha vida, mas um feio que veio para acontecer o bonito”, filosofa o MC.

MC Beijinho com Caetano VelosoReprodução

Antes, ele dividia o palco com o tio em rodas de samba e, sem nome artístico, ganhou o “MC Beijinho” dos fãs por causa de ‘Me Libera Nega’. “Quando fui fazer o registro de umas músicas, precisava colocar um nome artístico e acabei colocando o meu nome mesmo, Ítalo, como autor. Cheguei a pensar em usar MC Gordo, mas minha mãe não deixou: ‘Isso é bullying, não vou deixar ninguém te chamar assim, não’”, conta. Beijinho já foi um rapaz de 120 quilos. Diz ter procurado psicólogo e nutricionista em 2015 e ter aprendido a se alimentar melhor. “Eu trabalhei no restaurante da minha avó e comia toda hora, o dia inteiro. Subia na bicicleta, e ela nem andava!”, recorda. “Depois, entendi um pouco mais sobre diabetes, vi criança de 16 anos que já tinha que fazer redução de estômago. Fiz de tudo para baixar para 75 quilos. Todos os dias, eu gastava R$ 1 para ir na máquina me pesar”.

CLÍNICA
Ao ser solto, Beijinho foi mandado para uma clínica de dependentes químicos. Está lá até hoje e tem que cumprir horários rígidos. Por causa disso, ficou impossibilitado de viajar. “Acordo às 6h e já tem um carro para me levar para os compromissos. Às 17h, volto. Antes, eu tinha que estar de volta às 14h, não podia ficar mais de sete horas na rua. Agora posso viajar, atender fãs. É muito louco. Tem fã que vê no Instagram que eu estava num lugar e vai me encontrar”, diz.

Pouco antes do papo com O DIA, Beijinho tinha almoçado com crianças de uma escola em Salvador e deu “mais de 50 autógrafos”, coisa que estranhou. “Hoje, as pessoas pedem mais é selfie. Autógrafo é coisa do tempo do Caetano”, diz, rindo. “E qualquer Galaxy Win tira foto hoje em dia”, complementa ele — que na entrevista que concedeu no camburão, afirmou que os adolescentes que fora acusado de roubar portavam justamente “dois Galaxy Win”, tipo de celular da Samsung. Após a sessão de autógrafos, já se acostumou. “Uma fã me deu uma caneta falhando. Escrevi o nome dela até onde deu e botei do lado: ‘Falhou’”, brinca. “Teve uma outra que era Camila com C, mas escrevi com K. Aí escrevi do lado: ‘Escrevi com K mas é com C, desculpa!’”

Aqui no Rio, cidade que Beijinho quer visitar, mora uma pessoa muito especial: Paty, a ex-namorada para quem fez ‘Me Libera Nega’. “Nunca mais eu a encontrei. Eu a amo muito. Ela me deu um filho, que é ‘Me Libera Nega’. É o nosso patrimônio!”, diz, rindo. 

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