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Rennan da Penha, o funkeiro preferido pelos jogadores de futebol

'Diziam que a gente ia acabar com o funk', diz o DJ preferido de muitos jogadores de futebol

Por RICARDO SCHOTT

DJ Rennan da Penha
DJ Rennan da Penha -

Rio - Ele é o DJ preferido de muitos jogadores de futebol, e é amigo de outros tantos. "Douglas, Lucas Paquetá, Vinicius Jr... O Adriano Imperador volta e meia está nos meus bailes tomando um uísque com guaraná", brinca Rennan da Penha, que tem feito a alegria de muitos funkeiros (e boleiros) com uma nova receita de funk acelerado, em 150 bpm (batidas por minuto).

O carioca da (como diz seu próprio nome) Penha tem estourado hits como 'Toca Aquela'. E vem sendo citado ao lado de colegas que também trabalham com batidões rápidos, como o DJ Polyvox (tido como o grande artífice da batida, com sua série 'Tambor Coca-Cola'). Mas Rennan já tem dez anos de carreira, que está comemorando com uma série de bailes.

Nesse fim de semana, só no sábado, ele toca no 'Encontro das Vozes' - que reúne os pagodeiros Péricles e Ferrugem no Maracanã -, no Baile do Amor (no Paiol 8, na Lapa) e em sua própria micareta, que rola no conhecido Baile da Gaiola, no bairro que dá nome artístico ao DJ. Recentemente, levou seu som para a Argentina.

"Fui tocar numa festa particular, mas nem posso falar de quem", brinca Rennan, que aproveitou a estadia no país para passear com a namorada por lá. E mesmo com o passeio na terra de Carlos Gardel, diz não curtir fazer festas particulares. "Só se for de um amigo, ou de amigo de amigo. Mas festas de jogadores já toquei em várias".

COMO TUDO COMEÇOU

"Eu vim de uma parte da Terrinha, no Alto da Vila Cruzeiro. Comecei a gostar do funk muito cedo, com uns 13 anos, por causa de um amigo que vivia tentando me arrastar pra bailes. Mas, em 2007, comecei a ficar no pé dos DJs e, em 2008, toquei no meu primeiro baile", conta o DJ, lembrando de seu começo de carreira. Seus primeiros ataques nas pick-ups foram em bailes no Complexo da Penha, "com a oportunidade dada por um amigo falecido, o DJ Fabiano", lembra.

FUNK RAPIDINHO

Os 150 bpm surgiram de experimentações feitas em bailes em comunidades como a do Juramento - ao mesmo tempo em que vários amigos de Rennan faziam o mesmo em outros lugares.

"Lá, em 2014, já comecei a acelerar o funk. Mas não era 150 bpm, era em torno de 135 a 140. Na comunidade da Nova Holanda, alguns amigos de trabalho também já aceleravam o funk", conta, lembrando que nem sempre as inovações foram bem recebidas. "Os DJs Polyvox, Rodrigo Fox e eu fomos mal compreendidos. Principalmente pelos DJs mais antigos, que acharam que nós estávamos acabando com o funk carioca. Mas o público adorou. No início, fui ignorado, mas era minha onda. Continuei com isso e hoje tenho espaço e respeito".

E é possível acelerar mais do que isso? "Sim. Tem o funk arrocha, que é em 160 bpm. Já no tamborzão (típico funk carioca), complica. Você não pode inventar moda e destruir um ritmo. Mas nunca me pedem para acelerar nada nas músicas. O 150 bpm é bem no ritmo de quem vai nos meus bailes, ou dos lugares em que me apresento".

Pergunta inevitável: essa rapidez toda na hora de tocar nunca levou alguém que estava dançando a se atrapalhar e tomar um belo tombo, não? "A gente vê coisa engraçada sempre, aparece muito doido, mas é legal se a pessoa estiver na curtição dela e respeitar o espaço da outra pessoa", conta o DJ, que tem público bem jovem e, por intermédio deles, vê a necessidade de estar sempre se reciclando.

"Funkeiro gosta de novidade, inovação. Acelerar a música só fez com que eles dançassem mais rápido. O ritmo estava muito parado, o público do funk mudou ao longo do tempo. Hoje em dia, a turma que tem até 25 está muito mais acelerada e adiantada do que a galera com a mesma idade há dez anos", acredita.

YOUTUBE

Além dos bailes, Rennan vem chegando a novos fãs por intermédio de podcasts de funk, que são colocados em plataformas como YouTube e Soundcloud. O vídeo da comemoração de 18 anos do Baile da Gaiola, jogado no YouTube em julho do ano passado, já passou do milhão de visualizações. É o que vem fazendo funkeiros de todo o Brasil descobrir seu som. Para eles, o DJ tem boas notícias. "Vamos levar o baile para Brasília e Nordeste. Vou passar quase seis meses embalando os amantes de funk com o meu baile recheado de convidados!", alegra-se Rennan.

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DJ Rennan da Penha Divulgação
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