Fernanda Montenegro e Fernanda Torres falam sobre as dificuldades de convivência

Atrizes estão em 'Amor e Sorte', série que estreia hoje, na Globo

Por Juliana Pimenta

Fernanda Montenegro e Fernanda Torres
Fernanda Montenegro e Fernanda Torres -

Além de todas as angústias enfrentadas durante o período de isolamento social, a convivência forçada entre familiares é, por muitas vezes, mais um problema amplificado pela pandemia. Parentes que, por forças das circunstâncias, foram obrigados a dividir o mesmo teto estão tendo que enfrentar suas diferenças na nova rotina. E é inspirado nessa dinâmica que foi criado o primeiro episódio da série 'Amor e Sorte', que estreia hoje, depois de 'Fina Estampa' na Globo.

No papel de Lúcia, Fernanda Torres dá vida a uma filha que acumula diferenças com a mãe. "De um lado, tem uma mãe que foi jovem na década de 60 e 70, numa época em que viver não fazia mal. Ela é uma pessoa de 90 anos, ativa e que gosta de tomar caipirinha na praia. Em contraste, se criou essa filha que é o home office por excelência. É engraçado como a filha é mais careta, mais 'sistema' que a mãe e esse conflito é o que dá o caldo para o episódio. Dois mundos antagônicos que não se acreditam", descreve a atriz, que como parceira de cena e isolamento, teve a companhia da mãe, Fernanda Montenegro.

Produção familiar

Isoladas em um sítio na Região Serrana do Rio por quatro meses, as Fernandas aceitaram o desafio de produzir o episódio da forma mais caseira que encontraram. Além de ter a casa da família como cenário, a produção ainda é dirigida por Andrucha e Pedro Waddington, respectivamente marido e enteado de Fernanda Torres. Para completar a atividade familiar, o episódio também conta com a participação de Joaquim Waddington, que contracena com a mãe e a avó.

"Esse especial cravou para sempre um momento também de realização artística, de comunhão familiar, de aceitação de uma nova possibilidade de sobrevivência diante de uma tragédia como esse vírus que está em cima do mundo. A gente tem os filhos da gente. A partir de uma hora, vão para suas vidas, tomam seus rumos, se juntam a outras pessoas de outra cultura, de outra origem. E formam um novo núcleo. Mas, nesse momento, lá, nós nos reunimos novamente. Voltamos a nos encontrar ali muito intimamente. Dia e noite fechados, durante meses. Nos encontramos de uma forma não pegajosa, mas amorosa, essencial, muito humana, sem demagogia. Isso também tem um pouco na feitura do nosso episódio", destaca Fernanda Montenegro, que logo é dedurada pela filha.

"Eu aceitei logo (o isolamento), a mamãe foi ainda ficando mais revoltada com a situação. Até que uma hora a gente aceitou aquele lugar como nosso. E, quando veio a filmagem da série, foi uma espécie de coroação. Esse especial é como uma memória desta hora da vida da gente. A nossa família inteira e aquele lugar que nos salvou. Quando acabou a filmagem, rolou um vazio muito grande. Uma coisa que eu nunca vou esquecer na vida", conta Fernanda, que revela que muito da intimidade da família foi exposta no especial.

Genialidade e humildade

Ainda em isolamento, Fernanda Montenegro pontua os aprendizados do período reclusa com a família. Única brasileira já indicada ao Oscar de Melhor Atriz, ela é doce ao falar da relação de admiração que estabeleceu com a filha. "Não convivíamos debaixo do mesmo teto há muitos anos, embora convivêssemos na vida. E eu me vi muito amparada diante de uma mulher que luta pela sua vida, sabe o que quer, é responsável como cidadã, tem uma sensibilidade diversificada, muito qualificada. É um ser humano cheio de talento para o que quiser na vida. E é ela. Está lá. Isso, para uma mãe, é uma comprovação de que aquele ser humano é livre", comenta.

Em um teaser do episódio, a atriz sintetiza a satisfação de estar bem e produzindo: "Imagina o que é para uma avó de 90 anos, de repente, estar com os netos trabalhando? Não tenho palavras para definir o que foi de bonito e consolador".

 

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