MC Rebecca é musa do SalgueiroDivulgação

Rio - Com uma trajetória de 16 anos no Salgueiro, MC Rebecca chega ao Carnaval deste ano com o brilho de quem conhece profundamente suas origens e o que representa dentro da escola. Nascida e criada no Morro São João, no Engenho Novo, a artista sempre esteve cercada pelo ritmo e pela força da comunidade. Foi acompanhando a avó à quadra que deu seus primeiros passos no mundo salgueirense, ainda na infância. 
"O Salgueiro é minha raiz. Cresci aqui, vendo minha família viver o samba com amor. Estar no Salgueiro não é só Carnaval, é a continuidade de um legado", analisa a artista. "Comecei muito cedo, na ala das passistas mirins. Em 2016 me tornei Rainha das Passistas, cargo que ocupei até 2019. Em 2020 voltei como musa, onde sigo até hoje", relembra.
Mesmo consolidada na escola da Zona Norte, MC Rebecca confessa que sonha em um dia assumir o posto de rainha de bateria. "O sonho existe, sim, mas vem de muito antes de quaquer título. Se um dia isso acontecer, não será só sobre mim, mas sobre todas as meninas da comunidade que precisam se ver nesses lugares para acreditar que também podem chegar", destaca. 
Em 2026, o Salgueiro levará para a Avenida o enredo "A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau", em homenagem à carnavalesca Rosa Magalhãe. Rebecca aponta a escolha como "linda, emocionante e necessária". 
"Rosa foi uma artista genial que mudou a forma de contar histórias na avenida, em um espaço que por muito tempo foi dominado por homens", diz. "Falar sobre Rosa é falar de coragem, inteligência e liberdade criativa. É sobre uma mulher que nunca teve medo de ser quem era. Essa homenagem é um presente para a memória do samba e para todas nós, mulheres, que seguimos lutando por respeito dentro e fora da avenida", completa.
A musa, inclusive, conta que já recebeu a fantasia que usará na terça-feira de Carnaval, dia 17 de fevereiro, durante o desfile da vermelho e branco, mas prefere manter o mistério sobre o visual. "Está linda. Não posso dar muitos detalhes, mas com certeza estarei conectada ao imaginário, à criatividade e à potência das histórias que Rosa Magalhães sempre levou para a Sapucaí", revela.
Independentemente do que representará no desfile, a cantora afirma que sua presença na Sapucaí carrega um significado maior. "Quero que simbolize a força da arte, da imaginação e, principalmente, das mulheres que constroem o Carnaval com inteligência, sensibilidade e coragem. Vou entrar na Sapucaí para honrar esse legado", afirma.
Futuro na música
Além do samba no pé, Rebecca também mira novos caminhos na música. Questionada sobre a possibilidade de investir em um projeto de samba ou pagode, a funkeira, que já cantou com Lukinhas e Marvvila e tem Alcione como grande referência, é direta. "Com certeza. Isso já faz parte da minha história. O samba, o pagode e o funk sempre caminharam juntos na minha trajetória", garante.
A artista encara 2026 como um ano de retomada na carreira musical, após um período em que, segundo ela, não teve total liberdade criativa. "Estive presa a regras e contratos que não me permitiam ser quem eu realmente sou: funkeira, periférica, cantora de proibidão, como cresci dentro do funk. Agora é tempo de voltar às origens, lembrar por que comecei, de onde vim, quem represento e qual é a minha verdade.
Ela, por fim, revela que já planeja um novo álbum, turnê e outros projetos, todos pensados com cuidado e autenticidade. "Quero lançar mais músicas, contar mais histórias e fazer projetos que dialoguem com o povo, com a favela, com as mulheres e com a nova geração. Meu maior projeto continua sendo abrir caminhos e mostrar que nós podemos conquistar nossos sonhos", finaliza.
*Reportagem da estagiária Ellen Izabelle, sob supervisão de Isabelle Rosa