Andrea de Andrade é rainha de bateria da Porto da PedraDivulgação
Sem dúvidas. Mesmo após tantos anos desfilando no carnaval, cada escola de samba é única. Suas comunidades têm identidades próprias. O frio na barriga da recepção, o retorno à frente de uma bateria, carrega muita emoção e também desafios. Mas fui acolhida com tanto carinho pela Porto da Pedra, que isso me trouxe segurança, confiança e ainda mais vontade de permanecer na escola. O sentimento é de gratidão e pertencimento. Podem se preparar, porque o próximo desfile será ainda mais especial.
- O que os torcedores da Porto da Pedra podem esperar do desfile deste ano? A escola vai brigar pelo título de campeã da Série Ouro?
A Porto da Pedra é uma escola que sempre entra na Avenida para disputar o título da Série Ouro. Sabemos o quanto isso é difícil, pois o grupo é formado por grandes escolas. Mas este era um enredo muito aguardado por todos, e a escola está realizando um trabalho muito responsável. Podem aguardar a Porto da Pedra na disputa por essa vaga, com todo respeito às coirmãs.
- Você já é conhecida pelo corpo escultural; apesar disso, tem feito alguma preparação especial para o Carnaval?
Na verdade, não existe uma preparação específica para o carnaval. Eu treino durante o ano inteiro e, curiosamente, quanto mais o carnaval se aproxima, menos consigo treinar, por causa da correria e dos compromissos com a escola. Acabo até me alimentando menos; A base da minha preparação vem desse trabalho contínuo ao longo do ano. A musculação já faz parte da minha rotina e do meu estilo de vida. Então, o foco acaba sendo a intensificação dos ensaios. Neste ano, emagreci um pouco, estou mais leve, mas sem nada radical, não faço treinos extremos nem dietas muito restritivas.
-Na Sapucaí, a escola vai apresentar o enredo "Das Mais Antigas da Vida, o Doce e Amargo Beijo da Noite", que abordará a temática das profissionais do sexo. O que achou da escolha?
Acho que se trata de um tema de extrema relevância cultural e social. Dar voz a pessoas invisibilizadas é um dos pilares do Carnaval. Essas mulheres sofrem preconceito da sociedade, mas elas existem e precisam ter espaço. Não adianta tentar calá-las. Espero que esse enredo da Porto da Pedra leve o debate para outras esferas e que essas mulheres tenham a dignidade que merecem.
- O que você representará no desfile? E como será sua fantasia? Bem ousada?
O meu personagem eu não posso revelar, isso é sempre segredo. Fantasia de rainha de bateria é igual vestido de noiva: só se mostra na hora, senão dá azar. Mas posso garantir que vem uma grande fantasia, com a minha cara, totalmente dentro do enredo e da proposta do nosso carnavalesco, Mauro Quintaes, e à altura da Porto da Pedra. Podem esperar, vocês vão amar.
- E por falar em look, você tem caprichado nos looks e nos ensaios de fotos de carnaval. O inspirado na Bruna Surfistinha, inclusive, fez muito sucesso. Essa é uma maneira de já ir entrando no clima da festa e até mesmo se familiarizar com o enredo?
Gosto de fazer parte do carnaval da escola como um todo. Acredito que apresentar esses personagens ao longo do pré-carnaval ajuda a introduzir as pessoas nesse universo, fazendo com que elas cheguem à Avenida já preparadas para o que a escola vai apresentar. Eu me sinto parte disso tudo, e o meu papel como rainha de bateria é justamente dar voz e visibilidade ao que a escola está propondo.
- Você já se espelhou em alguma Rainha de Bateria? Qual?
Sou uma grande entusiasta das mulheres no carnaval. A minha inspiração vem um pouco de todas: em algumas observamos o samba, em outras o look, em outras ainda a forma de se portar e de se comunicar. Acho o carnaval múltiplo, com espaço para rainhas de todas as características possíveis. Mas não posso negar que sou muito fã da Luma de Oliveira e me inspiro na sensualidade, no porte e na dedicação que ela tinha às suas baterias. É uma referência não só para mim, mas para todas as rainhas.
- Você tem algum 'ritual' antes de entrar na Sapucaí para desfilar?
Antes do desfile, faço meus banhos, peço proteção e, no dia, rezo por mim, pela minha escola e pelos meus ritmistas. Gosto de estar muito concentrada para fazer o melhor desfile possível.
- Tem algum momento mais especial e mais difícil durante o percurso do desfile?
O momento mais especial é a largada da escola. Passa um filme na minha cabeça, desde o início de todo o processo do carnaval, com todas as etapas. É um misto de emoção e alegria, e a certeza de que o trabalho será bem feito. Não existe um momento difícil: nós nos preparamos tanto para estar ali, e eu amo tanto estar naquela avenida, que as dificuldades ficam para depois. A Avenida é um lugar sagrado.










