Membros da Liga RJ estiveram na sede da Riotur nesta sexta-feira (23)Divulgação

Rio - O embate da Liga RJ, entidade que representa as 15 escolas de samba da Série Ouro do Carnaval do Rio, com a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) ganhou mais um capítulo. Nesta sexta-feira (23), a Liga RJ afirmou que uma reunião com a Riotur não pôde ser realizada devido à ausência de representantes da Liesa. O encontro tinha como objetivo discutir a organização e credenciamento adotado para os desfiles de 2026 na Marquês de Sapucaí.
"A Riotur esteve presente e recebeu a Liga RJ, registrando formalmente o ocorrido. A ausência impediu o avanço do diálogo conjunto necessário para a solução de temas que impactam diretamente as agremiações da Série Ouro", informou a entidade por meio de nota.

Segundo a Liga RJ, algumas escolas da Série Ouro ainda não iniciaram o processo de credenciamento para o Carnaval 2026 por entenderem ser indispensável a manutenção das mesmas quantidades e do mesmo formato adotado nos carnavais anteriores, bem como a garantia de um espaço no Sambódromo da Marquês de Sapucaí.
Esta não foi a primeira vez que a Liga se queixou da situação. Na quinta-feira (22), representantes do órgão já haviam enviado um ofício detalhando a insatisfação à Riotur.

Pedido de TAC

Na sede da Riotur, a Liga RJ apresentou uma proposta de revisão do contrato de cessão do Sambódromo. A entidade sugere que os valores obtidos com patrocínios, publicidade, marketing e outras explorações comerciais do espaço público sejam divididos proporcionalmente, sendo 60% para o Grupo Especial e 40% para as escolas da Série Ouro, respeitando os dias de desfile de cada grupo.

Como solução institucional para evitar novos conflitos e decisões unilaterais no futuro, a Liga RJ defendeu a construção de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), com a participação dos órgãos competentes, "como instrumento adequado para assegurar isonomia, transparência, segurança jurídica e equilíbrio na utilização do espaço público".

Ainda em nota, a entidade disse aguardar um posicionamento formal da Riotur sobre os pontos apresentados, destacando que a manifestação do órgão é necessária para o avanço das negociações e para a definição do calendário e da organização do Carnaval 2026.

"A entidade reforça que o Sambódromo é um espaço público e não pertence a nenhuma liga. As escolas da Série Ouro não aceitarão decisões unilaterais, coação ou práticas que contrariem a legalidade e o princípio da isonomia. O TAC se apresenta como a solução mais eficaz para evitar que situações como as relatadas se repitam nos próximos carnavais, garantindo estabilidade institucional, previsibilidade e respeito às escolas de samba", diz outro trecho da nota.
A reportagem procurou a Liesa para comentar sobre a ausência na reunião, mas ainda não houve retorno. O espaço está aberto.
Confira a nota da Liga RJ na íntegra: