Muitas fantasias fizeram referência a "Alice no País das Maravilhas", que inspira o nome do megabloco2Érica Martin/Agência O Dia

Rio – O tempo nublado e a chuva fraca nas primeiras horas não intimidaram os presentes ao Chá da Alice, que inaugurou a temporada de megablocos no carnaval de rua do Rio em 2026, no Centro, na manhã deste sábado (24). Cerca de 50 mil foliões, de acordo com estimativa da Prefeitura, se divertiram ao som de uma mistura musical, de axé, pop e samba, embalada pelos grupos Sambay e Babado Novo, além do cantor mexicano Christian Chávez, ex-RBD, sucesso no Brasil nos anos 2000.
Dentre as fantasias, muitas faziam referência ao clássico "Alice no País das Maravilhas", que inspira o nome do megabloco. A estudante de psicologia Carolina Azevedo, de 23 anos, chegou cedo para a concentração do bloco, às 8h, na Avenida 1º de Março, ao lado dos amigos Bruno, Cléo e Esther, e chamou atenção por estar caracterizada como o Chapeleiro Maluco, um dos principais personagens da história.
Em entrevista ao DIA, ela celebrou a estreia no megabloco: "No ano passado, perdemos a data e ficamos muito tristes. Mas desta vez conseguimos vir". 
Outro que não escondeu a empolgação com o início da festa foi o assistente social Wallace Raul, de 38 anos: "A gente espera por esse momento o ano todo", que, junto à multidão, viu o sol sair timidamente, ainda no início do desfile, que terminou às 12h.
A artesã Isabella Leal, de 42 anos, e o autônomo Júlio Ribeiro, de 45 anos, decidiram aproveitar a folia harmonizando as fantasias, como Rainha e Rei de Copas, e mostrando que megabloco também é lugar de casal: "Estamos sempre justos", disse ele.
Quem também não escondeu a animação por estar no Chá da Alice foi o próprio Christian Chávez. Ícone entre o público LGBTQI+, ele recordou que vem à folia carioca pelo segundo ano seguido: "No ano passado, eu tive a oportunidade de desfilar na Sapucaí com a Grande Rio e agora estou aqui com vocês num megabloco. Obrigado, Chá da Alice, pelo convite. É um prazer".
Segurança reforçada
Assim como as condições não muito favoráveis do tempo, a violência, que sempre merece atenção especial no Rio, também não afugentou quem acordou neste sábado a fim de curtir o carnaval de rua. Carolina Azevedo se mostrou zelosa, mas reconheceu uma sensação maior de segurança: "É óbvio que a gente tem que tomar cuidado, mas o policiamento está reforçado e estamos curtindo".
Segundo a Polícia Militar, em toda a área do Circuito Preta Gil, da Praça da Candelária ao Aterro do Flamengo, por onde tradicionalmente passam os megablocos, o público só consegue acesso por 23 pontos de revista, onde agentes atuam com detectores de metais, recolhendo facas, tesouras ou qualquer objeto que possa ser usado como arma.
Júlio Ribeiro comentou: "Fomos revistados, e detectaram metal. Era o celular e o fone. Achei isso bem interessante".
Wallace Raul salientou ainda o monitoramento por câmeras: "Tem muitas, e isso nos tranquiliza um pouco".
Durante as revisas no desfile do Chá da Alice, policiais militares apreenderam 49 objetos perfurocortantes, como facas, tesouras, estiletes e canivetes.
Ainda de acordo com a PM, a estrutura da corporação para o carnaval de rua conta torres de observação e drones do Grupamento Aeromóvel (GAM). Os equipamentos são munidos de um software de reconhecimento facial.
Do interior de um carro-comando, estacionado nas proximidades do prédio histórico da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), na Avenida Antônio Carlos, equipes da área de tecnologia acompanham em tempo real imagens geradas pelas câmeras.

Entre as 7h e as 12h nos fins de semana, horário dos desfiles dos megablocos, equipes do Grupamento de Patrulhamento em Multidão (GPM), lotados no Recom (Rondas Especiais e Controle de Multidão), atuam no meio da multidão a fim de evitar tumultos.
Ainda no sábado
Além do Chá da Alice, outros vários blocos, de diferentes proporções, atraem foliões em toda a cidade neste sábado. Ainda pela manhã, na Praça Jardim Laranjeiras, na Zona Sul, o Sorvetada Gigantes da Lira reuniu um público de cerca de 200 pessoas, entre crianças e responsáveis, em uma folia lúdica, com direito a palhaços, acrobatas, fantasias criativas e distribuição de picolés. O tema deste ano foi "O Mágico de Nós", inspirado no clássico da literatura e cinema “O mágico de OZ”.

Na orla de São Conrado, o Chame Gente recebeu a banda Chiclete com Banana, que animou aproximadamente 4,5 mil foliões com hits do axé: "Foi com muita alegria que recebemos o convite para tocar no bloco Chame Gente. Preparamos um repertório com músicas da banda e outras que todo folião conhece e canta junto”, contou o tecladista Wado Marques, irmão de Bell Marques, ex-vocalista que fez história no grupo baiano.

Já na Estrada do Rio Jequiá, no bairro Zumbi (Ilha do Governador), na Zona Norte, cerca de 2 mil pessoas curtem nesta tarde o 20 de Ouro do Mestre Odilon. O repertório do bloco é destinado a clássicos do samba.

Às 17h, na Rua Farnese, no Santo Cristo, na Zona Portuária, o B. C. Independente do Morro do Pinto desfila para 400 pessoas ao som de samba, axé e ritmos carnavalescos, com destaque para os instrumentos de percussão.

No mesmo horário, mas na Rua Barros de Alarcão, em Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste, o Bloco da Praia recebe cerca de 300 foliões, com canções típicas do Carnaval, como marchinhas, samba e sucessos populares.  
Já no domingo
O também megabloco Bloco da Lexa é a atração mais aguardada pelo público nesse domingo (24). Também com estimativa de 50 mil presentes e concentração a partir das 7h na Primeiro de Março, o cortejo terá não apenas a cantora Lexa e seus sucessos do funk e do pop como atração, mas também convidados, como o MC GW, a cantora Wenny e a DJ Jhury.
*Colaborou Érica Martin