Fantasia recria de forma carnavalesca o imaginário das negras que exerciam o comércio ambulanteRaphael Figueiredo
União de Maricá apresenta fantasia da ala de baianas
Criação assinada por Leandro Vieira exalta a mulher preta e a ancestralidade
A União de Maricá apresentou nesta terça-feira (3) a fantasia da sua ala de baianas, apostando em uma leitura simbólica da mulher preta como protagonista da história, da economia e da resistência cultural no Brasil. Intitulada “O que a baiana tem? (Negras de Tabuleiro)”, a criação integra o enredo “Berenguendéns e Balagandãs”, desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira.
A fantasia recria o imaginário das negras que exerciam o comércio ambulante e que, por meio do trabalho cotidiano e de estratégias de sobrevivência e resistência, passaram a adquirir joias de ouro e prata como forma de poupança financeira, ascensão social e afirmação de identidade.
Com saia rodada, turbante, pano da costa e joias douradas, as baianas da União de Maricá ostentam elementos que extrapolam a função estética. De acordo com material enviado à imprensa, "as joias, inspiradas em registros fotográficos históricos de mulheres negras cobertas de balangandãs, evocam riqueza acumulada, autonomia econômica e a beleza como instrumento político."
A União de Maricá será a sexta escola a desfilar no sábado (14), pela Série Ouro.

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