Dono do carnaval com maior acessibilidade do mundo, o Rio de Janeiro confirma sua tradição este ano, com desfiles recheados de alegria, amor e reconhecimento de que há lugar para todos na Avenida. No Sábado das Campeãs, a Embaixadores da Alegria, primeira escola para pessoas com deficiência do mundo, pisa forte na Marquês de Sapucaí falando de sua própria história, com direito a samba-enredo composto pelos bambas Pretinho da Serrinha e Fred Camacho.
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A Embaixadores da Alegria, que já surpreendeu a Avenida com carro alegórico totalmente adaptado para os integrantes e cão-guia para integrantes com deficiência visual, promete fazer bonito para contar sua história.
"A Embaixadores da Alegria faz um trabalho maravilhoso! Na frase do samba 'aqui ninguém fica de fora', ressaltamos o acolhimento, o chamamento, a inclusão e o carinho com todos os que sonham em atravessar a passarela do samba com sorriso no rosto. E conseguem!!! A embaixadores transforma a vida de todos e tornou-se essencial não só para o nosso carnaval; mas para o ano todo", conta Pretinho da Serrinha.
Cofundador da Embaixadores, Caio Leitão celebra ter ajudado a transformar o Rio de Janeiro na cidade com o maior carnaval inclusivo do mundo.
"Acessibilidade é linguagem artística, inteligência coletiva e expansão de repertório cultural. A diversidade não é pauta identitária, mas potência criativa de transformação. E a inclusão não é concessão, é direito cultural e expressão plena de cidadania", define Caio Leitão.
Em Niterói, o bloco Percussomos volta à pista com enredo sobre a inclusão no mercado de trabalho. O bloco desfila às 8h de domingo (22) na Praça Duque de Caxias, no Gragoatá, em Niterói, a festa também terá ares de engajamento, com o samba 'Trabalhar é direito', que aborda as políticas de inclusão e fala da importância do emprego apoiado, em que há preocupação com locais acessíveis e ferramentas para que as pessoas com deficiência possam trabalhar cada vez melhor.
Maria Fernanda, de 21 anos, tem síndrome de Down e aprendeu a tocar surdo no projeto Práticas Acessíveis, do instituto Teatro Novo, que atende a pessoas com deficiência. Ela estará com o bloco nas ruas.
"Estou muito feliz, porque vai ser maravilhoso. Estou muito emocionada", conta Maria Fernanda, que é conselheira municipal titular de pessoas com deficiência no Conselho de Direitos Humanos de Niterói e torce para Viradouro e Mangueira.
O Percussomos traz ainda o cadeirante Paulo Zerbinni, como puxador do samba, que será tocado por cerca de 70 ritmistas, a maior parte de pessoas com deficiência.
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