Mayara Lima, rainha de bateria da Paraíso do TuiutiDivulgação

Rio - Reinando à frente da bateria da Paraíso do Tuiuti desde 2023, Mayara Lima voltará a atrair diversos olhares do público devido ao samba afiado no pé e sincronicidade com os ritimistas da "SuperSom". Cria da agremiação de São Cristóvão, que abre a última noite da folia, nesta terça-feira (17), com o enredo "Lonã Ifá Lukumí", a professora de samba diz que tenta não criar expectativas para o desfile, mas assume, que apesar da experiência, o nervosismo antes de cruzar a Avenida ainda existe. 
"Cada ano é uma nova experiência, um novo enredo, e assim também é a minha vivência à frente da bateria. O dia em que eu não sentir essa renovação diante de mim, esse frio na barriga, esse sinal de mudança e de vontade de estar ali cada vez mais, já não fará mais sentido. Não crio muita expectativa sobre o que quero entregar na Avenida. Gosto de fazer um trabalho muito orgânico junto com a bateria", afirma. 
A ligação de Mayara com o samba começou cedo. Aos 10 anos, iniciou sua trajetória na Aprendizes do Salgueiro. Em 2011, passou a frequentar a Paraíso do Tuiuti e entrou para a ala de passistas da escola, ainda na Série Ouro. Com a chegada da agremiação ao Grupo Especial, em 2017, tornou-se destaque de chão. Depois, assumiu o posto de Princesa da Bateria até estrear como rainha, em 2023. "Quando estou dançando, expresso os meus melhores sentimentos. É muito genuíno". 
A sinergia com os ritmistas, sob o comando do mestre Marcão, aparece como um dos pilares de sua atuação à frente da bateria, especialmente neste ano, em que os atabaques ganham protagonismo na apresentação da escola. "É uma relação maravilhosa, de total apoio, principalmente este ano, que traz esse destaque na frente da bateria no momento dos atabaques. A gente precisa desse amparo um do outro. Sem essa sinergia, sem esse trabalho em equipe, sem essa conexão, nada disso seria possível". 
A projeção para além da Avenida ganhou força em 2022, quando um vídeo em que Mayara aparece em absoluta sintonia com os ritmistas viralizou nas redes sociais. Desde então, seus registros de ensaios e apresentações passaram a alcançar públicos fora do universo do Carnaval. O trabalho também atravessou fronteiras, com passagens pela Argentina e pela Austrália, onde ministrou workshops e participou de apresentações voltadas à cultura brasileira. "Minha função no mundo do samba vai além de um cargo. É transmitir conhecimento através da minha cultura, levar essa cultura para outras pessoas, inclusive de outros países", explica. 
A preparação para o desfile deste ano exigiu cuidados específicos após a realização de duas cirurgias, o que alterou sua rotina habitual de treinos. "Este ano eu passei por duas cirurgias: fiz uma lipo e coloquei silicone. Então, a minha preparação foi diferente por conta disso. Fiquei dois meses parada para me recuperar bem e conseguir voltar a sambar da forma que eu gosto. Quando retornei, voltei com academia intensa, alimentação regrada, tudo voltado para alcançar o meu objetivo". 
Ela, então, reforça a importância da convivência com a comunidade e a bateria como parte fundamental do preparo. "O melhor treino, a melhor preparação, é participar dos ensaios, estar sempre ali com a bateria, com a comunidade, tendo essa troca". 
Antes de cruzar a Passarela do Samba, a rainha tem seu ritual: "Oro, peço proteção e sempre acendo uma vela antes de sair de casa. Quando chego à Sapucaí, peço licença e entro sempre com o pé direito, para trazer a melhor energia possível para a nossa escola", lista. 
Sobre o enredo que a Tuiuti deste ano, que mergulha na ancestralidade iorubá e na religião Ifá, a partir da tradição afro-cubana, Mayara ressalta o papel educativo dos desfiles. "Muitas vezes, o que você não aprende dentro da sala de aula ou nos livros, você vê ali na Sapucaí pela primeira vez". 
Quanto à fantasia, a rainha prefere manter o suspense, mas adianta que o figurino dialoga diretamente com a proposta do desfile. “O que eu posso dizer é que é um elemento muito importante para o enredo. Vai significar muito e consolidar ainda mais esse momento à frente da bateria". 
Mayara, por fim, conta como concilia a rotina intensa do Carnaval com a maternidade. "Só consigo por causa dessa rede de apoio. Sou extremamente grata à minha mãe, às minhas tias, primas e à madrinha do meu filho. Todos se dispõem a me ajudar, vão à minha casa ou eu levo meu filho para a casa delas. Minha mãe é o meu ponto principal desde sempre".