Wend foi eleita Pessoa Não-Binária da Corte LGBT do Carnaval 2026Reprodução / Instagram

Rio - Um dos integrantes da Corte LGBT+ do Carnaval 2026 usou as redes sociais para denunciar uma série de situações desagradáveis que viveu durante a maratona de ensaios e desfiles que transformaram o reinado em “pesadelo”. Wend, eleita como Pessoa Não-Binária, publicou uma carta aberta em seu perfil do Instagram, em que revelou ter recebido tratamento truculento de seguranças, não pôde acessar alguns locais e eventos, e mais.
“Hoje se encerra um sonho, sonho esse que se tornou um pesadelo e me fez passar por coisas que eu não imaginaria que passaria. Pois um lugar onde deveria ser acolhedor, inclusivo, com atitudes me mostrou ser completamente oposto de tudo que é dito ou prometido”, iniciou Wend no vídeo.

Em meio à maratona de ensaios e desfiles, Wend afirmou que a Corte Real foi dividida e ela não pôde desfilar à frente das escolas de samba – e das escolas de samba mirins nos ensaios técnicos –, foi empurrada por seguranças, recebeu tratamento rude de líderes e representantes de agremiações, foi expulsa da Sapucaí por não poder passar pelo meio da Avenida e foi barrada do evento de entrega da chave da cidade ao Rei Momo, cerimônia que marca o início oficial do Carnaval carioca.

Segundo Wend, o valor para o aluguel de fantasia foi pago apenas uma semana antes do Carnaval e foi reduzido. Além disso, a integrante da Corte LGBT+ ainda expôs mais uma situação, que desta vez envolve a primeira porta-bandeira da Portela, Squel Jorgea.

“Uma das coisas que mais me marcou foi a nossa primeira visita, que foi ao ensaio de rua da Portela. Quando a Squel, primeira porta-bandeira, gritou e impediu a Corte de passar e não nos deu o pavilhão para cumprimentar e beijar, respeitando o coração da escola. Essa situação me deixou completamente frustrada”, contou.

Wend finalizou o vídeo fazendo um desabafo sobre as situações que passou. “O próprio povo do samba não nos valoriza. Como somos nomeados representantes da cultura, Corte Real e recebemos esses tipos de suporte? Porém, é isso. Viva o Brasil. Mas enfim, aproveito para agradecer ao Carnaval e ao samba por ser refúgio em todos os momentos que eu pensei em desistir. Eu quero agradecer a um cara, especialmente, por ter deixado as portas abertas do camarote Rio Carnaval para que a Corte pudesse curtir um pouco desse espetáculo lindo e grandioso que é o nosso Carnaval. Gratidão, Gabriel David. E deixo aqui como conclusão: O sistema é sujo, nos usam, mas não nos apoiam”, afirmou.

A O DIA, a Portela informou que o caso com a porta-bandeira Squel Jorgea já foi esclarecido. “O casal estava passando pela marcação da cabine durante o ensaio de rua e, naquele momento, ninguém pode atravessar o espaço. Não houve qualquer tipo de impedimento ou rejeição, apenas o cumprimento do procedimento necessário, assim como é feito nos ensaios técnicos e no desfile”, diz a nota.

Procurada pela reportagem de O DIA, a Riotur não respondeu sobre as demais situações descritas por Wend na publicação até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para manifestações.