Rio - Uma das principais artistas da Música Polular Brasileira (MPB) contemporânea, a cantora e compositora Roberta Campos, de 47 anos, vive um dos momentos significativos da carreira. No início deste mês, ela lançou o sexto álbum de estúdio, intitulado "Coisas de Viver", com um tom introspectivo e intimista. A obra explora emoções profundas e revela um lado mais confessional da artista.
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"É um disco íntimo, muito pessoal e profundo. Falo de coisas que todo mundo sente, vive ou já viveu. Minhas músicas sempre foram diretas e verdadeiras, nesse álbum vejo mais intensidade, é inevitável haver uma conexão. Imagino que as pessoas vão se ver nas canções e que elas, que são o resultado das minhas vivências, passarão a ser trilha das vivências delas, por ser maior que o que você acredita de verdade", comenta Roberta.
Natural de Caetanópolis, em Minas Gerais, a cantora diz que a inspiração para o álbum surgiu após uma parceria com o compositor Paulo Novaes. "Eu já tinha planos de gravar um disco novo, para lançar entre o fim de 2024 e início de 2025. No final de 2023, enviei uma melodia para o Paulo que me devolveu uma letra linda, profunda e que falava muito de mim! Essa é a canção "Coisas De Viver", que dá nome ao disco. Essa canção me tocou muito e deu vontade de falar mais do meu íntimo, das minhas dores, meus medos, a forma que lido com tudo isso, meu amadurecimento e também do amor e a felicidade que ele me traz".
Além da parceria com Novaes, a cantora contou com a colaboração de Danilo Oliveira, com quem compôs a canção "Escapulário", e Alexandre Fontaneti, produtor da obra. "O disco é todo composto por mim. Conto apenas com duas parcerias: essa que mencionei acima e em 'Escapulário', com Danilo. Todas as outras canções compus solitariamente. O Alexandre Fontaneti produziu o álbum comigo. Sempre admirei o trabalho do Fonta, ele é um grande produtor e instrumentista. Ele, além de produzir o disco, tocou guitarra em todas as faixas, somou com o meu violão em duas outras faixas e isso fez toda diferença no resultado do disco. Eu amei fazer esse disco com ele, foi prazeroso, fluido, leve!", declara.
Um dos singles do álbum, "Gérbera" chegou ao primeiro lugar nas rádios de todo Brasil. "É maravilhoso lançar um trabalho novo, escolher uma canção para puxar esse trabalho, e ela chegar tão bem nas rádios, com uma aceitação grande como está acontecendo com a canção 'Gérbera', não podia ser presente melhor", vibra a cantora, que tem incluído as canções do seu novo disco em suas apresentações.
"Pude experimentar algumas canções no show que fiz em Casimiro de Abreu, no Rio de Janeiro. Foi maravilhoso! Superou as minhas expectativas. O público respondeu muito bem e as canções ficaram ótimas ao vivo! O show está pulsante, vivo!", comemora.
Primeiro álbum independente
Com mais de 15 anos de estrada, Campos fala sobre a liberdade artística que adquiriu com o tempo e como isso afeta a construção do seu novo trabalho. "Sempre fiz os álbuns do jeito que eu queria. Embora anteriormente estivesse em uma gravadora pequena, verdade seja dita, eles nunca limitaram a minha criatividade e sempre respeitaram os meus gostos. Mas, claro, tudo tinha que passar pelo crivo do A&R da gravadora, eu não podia simplesmente decidir e fazer acontecer. Porém, desta vez, por agora ser artista independente, eu pude escolher tudo muito livremente: o estúdio, o produtor, os músicos, o arranjador. Essa é uma sensação maravilhosa, mas dobra também a minha responsabilidade (...) Estou radiante com esse lançamento, além de estar contente com todo o resultado, é o primeiro disco lançado na minha nova fase como artista independente".
Maturidade
Roberta acredita que está em "uma fase importante" em sua vida. "Mais madura, com uma expansão de consciência maior. Faço terapia há quase 15 anos e nesse momento eu acredito que muitas coisas estão reverberando nas minhas canções. A maturidade traz coragem, segurança e vontade de acessar outros lugares em mim, de trazer essa experiência pro mundo, de compartilhar com as pessoas. As canções nasceram disso", destaca ela, que também avalia sua carreira. "Estou num ótimo momento! Madura, feliz e animada para tudo que já plantei e começa a florescer, tanto aqui no Brasil, como na minha carreira internacional que está também se construindo".
Influências
Entre as influências musicais da artista estão a MPB e Rock. "Acredito que tudo que já ouvi nesses anos de vida ajudou a moldar meu estilo. Sempre fui apaixonada por Paulinho Nogueira, sempre ouvi o Clube da Esquina e todos que fizeram parte desse movimento, sempre ouvi Caetano, Bethânia, Beatles, Nick Drake, Joni Mitchell, Bob Dylan. Tenho revisitado Tom Jobim e ouvido muita música brasileira".
*Reportagem do estagiário Lucas Adeniran, sob supervisão de Isabelle Rosa