Vitor Kley detalha lançamento do EP ’O Que Sobrou das Pequenas Grandes Coisas’Divulgação/Murilo Amancio
Vitor Kley lança EP e revela se trabalho simboliza encerramento de fase
Cantor apresenta faixas inéditas, que ficaram de fora de álbum anterior, em 'O Que Sobrou Das Pequenas Grandes Coisas'
Rio - O EP "O Que Sobrou das Pequenas Grandes Coisas", lançado na última sexta-feira (24), marca um novo capítulo na trajetória do cantor Vitor Kley, dono de sucessos como "O Sol" e "Adrenalizou". O projeto reúne cinco faixas inéditas criadas durante o processo criativo do álbum "As Pequenas Grandes Coisas", que ganhou o mundo em agosto de 2025. Em entrevista, o artista de 31 anos revela que o lançamento também reflete uma fase de maior liberdade criativa e autonomia na carreira. Confira!
- Em que momento você percebeu que as canções que ficaram fora do álbum "As Pequenas Grandes Coisas" mereciam ganhar vida e ser apresentadas aos fãs?
Para mim é sempre uma dor no coração tirar música de álbum. Se eu pudesse faria com 30, 31 músicas como foi a seleção de 'As Pequenas Grandes Coisas'. Mas como não é possível, porque hoje em dia está tudo tão depressa, às vezes a gente acaba até derrubando a vida de certas músicas se faz um álbum muito grande. Então, essa foi uma maneira de eu realizar um pouco desse meu sentimento de botar mais músicas em jogo. Fazendo o álbum com 11 faixas, focando nesse projeto e depois sabendo que existiria uma continuidade. É uma alegria muito grande ver essas músicas no mundo de alguma forma.
- Como foi trabalhar o primeiro projeto já sabendo que teria uma continuidade?
Eu acho que, pela primeira vez, a gente consegue fazer literalmente o que estava pensando. Como estamos independentes, eu e meu irmão ficamos pirando em casa sobre ideias, possibilidades, cronograma...A gente percebeu que existia essa possibilidade de, um ano depois do lançamento do álbum, trabalhar algumas músicas que ficaram de fora. Existia muito esse lançamento deluxe, mas eram demos, ao vivo ou um remix. E pensamos: por que não fazer essa continuação gravando em estúdio? A maior dificuldade foi segurar a ansiedade, porque eu gosto muito dessas músicas que foram lançadas.
- Você afirmou que talvez goste até mais desse EP do que do álbum. O que essas faixas têm de diferente emocionalmente?
Eu vou ser meio moleque birrento e dizer que as músicas que não entram nos álbuns talvez eu tenha mais interesse em saber o que é. Só de saber que elas não entraram e vão ser lançadas agora já me dá um sentimento de "que legal". É como um presente para os fãs, porque eles acessam um lugar onde poucas pessoas acessam. Isso me provoca algo muito bonito. O outro ponto é o de fazer em casa, de forma leve e muito aberta. A gente se divertiu muito, a gente jogou bola, videogame, a gente deixou a parada sair de nós. Por isso as músicas têm um respiro e uma energia diferente.
- Como foi revisitar essas músicas na hora de produzir o EP?
A música vai se modificando ao longo do tempo. A gente mantém a essência das músicas, porém algumas coisas com a maturidade do tempo a gente pode mudar, fazer instrumental, alterar o tom, a interpretação de canto pode ser diferente e várias coisinhas tiveram esse potencial da preciosidade do tempo. Chegamos ao melhor meio-termo entre o que elas eram antes e o que são agora. Foi muito legal revisitar, confesso que gostava delas antes e gosto do jeito que estão.
- Como foi a entrada da Joyce Alane em "Abalo Psicológico"?
A música foi escrita com a Carol Biazin e a gente escreveu no mesmo dia "Terra de Ninguém", que gravamos para o disco dela. Mas "Abalo Psicológico" fica sem parceira. Quando chega o nome da Joyce, que eu já visito há muito tempo porque vi ela gravando no Instagram, eu penso: "é ela". Quando ela foi lá em casa gravar, só concretizou tudo o que eu pensava. Ela é muito incrível, tem um controle vocal absurdo e o sotaque dela acrescentou muito à música, além das ideias vocais que ela trouxe.
- Qual a importância de usar instrumentos reais nesse projeto?
Eu nunca sei o que posso ser amanhã, mas vejo que isso me trouxe muita alegria. Ver as pessoas tocando, ver os meninos gravando, a preocupação com os timbres de caixa, os pratos que a gente usava...confesso que fazia tempo que eu não via tanto cuidado assim no estúdio. Num mundo de inteligência artificial e onde certas coisas são muito depressa, eu sou aquele cara que vai um pouco contra a corrente. É legal as pessoas saberem que que foi tudo tocado mesmo. A gente gravou baixo, guitarra, violão, bateria...Obviamente que algumas coisas digitais nos ajudam muito dentro do estúdio, principalmente na parte criativa, mas a hora que sentou para gravar a base da parada são pessoas que amam música.
- Como é seu envolvimento na parte visual e artística do projeto?
Sou filho de artista, então amo todo e qualquer envolvimento com arte seja uma poesia, livro, quadro ou figurino. Tenho muito a agradecer ao time que trabalha comigo e o meu irmão que foi super atrás também, Bruno Kley. Acho que esse projeto das "Pequenas Grandes Coisas" e "O Que Sobrou Das Pequenas Grandes Coisas", que são da mesma família, eles têm esse envolvimento por completo com a arte, sabe? Desde o figurino, a escolha da cor, que é a continuação do arco-íris e a gente sai do roxo da bolha, entra no azul que é a sequência do arco-íris...Tudo isso são coisas que vem da minha cabeça de alguma forma, eu passo para esse time e que a gente junto desenvolve todas as conexões.
- O EP "O Que Sobrou Das Pequenas Grandes Coisas" simboliza um encerramento de fase?
Eu sinto que sim. É a última dança em estúdio. Talvez possam vir projetos derivados, como voz e violão, mas de estúdio é a despedida. A capa diz muito isso desse conceito que é todo amarrado. É a criança olhando para o céu e tem uma nuvem apenas, que é a última nuvem do céu, e a criança meio que quase que se despedindo dizendo: 'Cara, agora vou ser livre, eu vou voar por esse céu azul'. Daqui para frente será uma nova história a ser contada.
- O que mudou em você como artista desde o início da carreira até agora?
A gente vai crescendo, amadurecendo e tendo visão para coisas mais simples como diz o álbum, né? Sou muito grato a tudo que aconteceu, mas hoje tenho a segurança de dizer: 'quero ir por aqui'. Quero apreciar minha música, poder fazer o que eu estou afim de fazer, contar com os músicos que eu quero contar, deixar eles darem ideias...Sinto que a maior diferença do trabalho que foi feito quando as pessoas me conheceram para agora, é muito isso. Não me preocupando com o que vão achar, o que vão falar e com o que o mercado aceita. Me orgulho e fiquei amarradão de estar fazendo parte desse processo.




