Gabriel Trintade / Divulgação

Rio - Neta de Tia Gessy, figura conhecida no universo do samba, Amanda Amado aborda as complexidades de um relacionamento em desgaste na música "Caçando Motivo", disponível nas plataformas digitais. A canção marca um momento de amadurecimento pessoal e artístico da cantora, que começou soltar a voz ainda criança e soma cerca de 20 anos de trajetória na música.


“'Caçando Motivo' representa muito o momento de maturidade que estou vivendo, tanto na carreira quanto como mulher. É uma música intensa, verdadeira e cheia de sentimento", afirma a artista.

Segundo Amanda, a canção retrata emoções reais e fala sobre a insistência em manter algo que talvez já tenha chegado ao fim. A cantora também destaca que se sente mais segura artisticamente nesta nova etapa da carreira. "Ela chegou em uma fase em que me sinto mais conectada comigo mesma", diz.

A relação de Amanda com a música começou dentro de casa. Neta de Tia Gessy, responsável há quase 50 anos por comandar uma tradicional casa de samba no Cachambi, a cantora cresceu cercada por música e artistas do gênero. "Cresci brincando no quintal dela, mas sempre observando os artistas que se apresentavam. A energia da roda de samba e a troca com o público sempre me encantaram", relembra.

Amanda começou a demonstrar interesse pela música ainda pequena e recebeu incentivo da família para estudar canto. Aos 8 anos, ganhou um karaokê da avó e, pouco tempo depois, iniciou aulas de música em Macaé. "Meus pais e, principalmente, a minha avó sempre foram meus maiores incentivadores, desde a descoberta do meu dom até hoje", comenta.

Apesar da forte ligação afetiva com a música, a trajetória foi marcada por dificuldades. Amanda, que participou da 2ª temporada do "The Voice Brasil", exibida em 2013, revelou que já pensou em desistir da carreira em alguns momentos por conta da busca constante por reconhecimento. "Já me perdi e me reencontrei muitas vezes. Já questionei meu talento, já tentei deixar tudo de lado, mas nunca consegui me afastar da música. Isso nasceu comigo", declara.

A cantora também fala sobre os desafios de atuar em um gênero predominantemente masculino. "Já enfrentei preconceito, desvalorização e situações em que precisei me posicionar com firmeza para ser respeitada", conta.
Amanda destaca, ainda, a importância de mulheres que abriram espaço no samba e no pagode, como Leci Brandão, Jovelina Pérola Negra, Alcione e Beth Carvalho, além da própria avó. "Foi graças à luta e à coragem dessas mulheres que hoje eu e tantas outras artistas podemos ocupar esses espaços com mais voz, respeito e representatividade", diz ela, que considera a mãe e a avó como figuras fundamentais em sua formação pessoal e artística. "Elas me ensinaram valores que carrego até hoje e sempre acreditaram em mim, até nos momentos em que eu mesma duvidei".