Budah Mateus Aguiar / Divulgação

Rio - Considerada um dos grandes nomes da música urbana contemporânea, a rapper capixaba Budah aborda o protagonismo da mulher negra, a autonomia afetiva e a força feminina no segundo álbum de estúdio, intitulado "Frequência Lunar", já disponível nas plataformas digitais. A cantora de 29 anos define o momento artístico atual como mais "maduro" e diz que se inspirou nas experiências e observações pessoais, além das histórias que já ouviu, para lançar este trabalho. 
"É um álbum que carrega muito de mim, que estou planejando há muito tempo… fala muito sobre autoestima, autonomia afetiva, sobre a mensagem de entendermos quem somos e o espaço que queremos ocupar no mundo. Como mulher negra dentro do rap e da música urbana, chegar nesse lugar hoje tem um peso muito importante pra mim, porque não foi e não é um caminho fácil", afirma. 
Budah acredita que expressar sua verdade nas canções faz com que outras mulheres se identifiquem com a arte dela. "Não quero passar uma imagem de perfeição ou de positividade acima de tudo, mas mostrar que a gente pode passar por dores, inseguranças e ainda assim reconhecer a própria potência. Acho bonito quando recebo mensagens de fãs falando que uma música minha ajudou em um momento difícil ou fez elas se sentirem mais confiantes. Sinto que esse é o meu propósito". 
Com 14 faixas, o álbum tem participações de Ajulliacosta, Duquesa, Iza, Pabllo Vittar, Tasha & Tracie, Vita Pereira e outros artistas. "Foi incrível. Um sonho realizado! Eu quis trazer pessoas que admiro artisticamente e que têm conexão real comigo, mas não esperava que daria tudo tão certo. Tem muita representatividade artística nesse álbum e isso era importante pra mim... Cada feat acrescentou uma camada diferente ao disco, cada artista tem a sua peculiaridade e o seu talento único, e o resultado está perfeito". 
Um dos assuntos presentes nas canções é a autoestima. A artista, então, conta como foi construir sua própria confiança ao longo da carreira. "Foi um processo. Crescer sendo uma mulher negra no Brasil já faz a gente enfrentar muitas questões sobre pertencimento, imagem e valor. No começo, eu tinha muitos medos e inseguranças, eu não esperava aonde chegaria... A música me ajudou a entender a minha voz, a ter coragem de mostrá-la, de construir a minha identidade e descobrir a minha força. Hoje me sinto mais segura justamente porque entendi que não preciso me encaixar 100% em padrões pra ocupar o meu espaço". 
Com mais de 60 milhões de visualizações no YouTube, Budah reflete sobre espaço que vem conquistando dentro da cena do rap, historicamente dominada por homens, sendo uma mulher negra. "Ocupar esse espaço é motivo de orgulho, mas também vem acompanhado de muita consciência sobre tudo o que isso representa... A gente sabe que mulheres negras sempre precisaram lutar muito mais pra serem reconhecidas e respeitadas dentro da música, principalmente no rap. Então representar isso hoje também significa abrir portas, fortalecer outras artistas e mostrar que esses espaços também pertencem a nós. Ver tantas mulheres talentosas crescendo, se posicionando e conquistando seu público me dá ainda mais força e esperança no futuro que estamos construindo dentro da cena".
Trajetória profissional
Natural do Espírito Santo, Brendha Rangel, nome de batismo da cantora, iniciou a trajetória artística nos grafites e batalhas de rima, mas ganhou notoriedade depois que um vídeo dela viralizar no Facebook, em 2014. Três anos depois, ela lançou a primeira música autoral "Neguin". A partir daí, participou do "Poesia Acústica 12 – Pra Sempre", colaborou com nomes como Djonga, Lourena, Cynthia Luz, Projota e MC Cabelinho, além de gravar o primeiro álbum em 2024 e outros hits. 
"A música me ajudou muito a entender a minha voz, a ter coragem de mostrá-la… de construir a minha identidade e descobrir mesmo a minha força. Hoje me sinto mais segura justamente porque entendi que não preciso me encaixar 100% em padrões pra ocupar o meu espaço, que eu posso ter voz e correr atrás dos meus sonhos", relata ela, que analisa a caminhada profissional.
"Me orgulha saber que eu não desisti, que eu escolhi acreditar em mim. Me orgulha olhar pro caminho que construí sendo fiel a quem eu sou, meus valores, o apoio e o amor incondicional da minha família sempre foram minha base. E me emociona também perceber que minha arte, mesmo sendo um entretenimento, consegue tocar outras mulheres e inspirar pessoas de alguma forma. Acho que esse é o maior retorno que posso ter e o que me dá certeza de estar no caminho certo".
Show no Rock in Rio
Budah vai estrear no palco do Rock in Rio, no dia 6 de setembro, no Espaço Favela.A artista celebra sua presença no festival e a representatividade que esse momento carrega. "Esse é um daqueles momentos que eu paro e penso em tudo que vivi até aqui. O Rock in Rio é um festival gigantesco, histórico, e estar ali pela primeira vez tem um significado muito forte pra mim, principalmente ocupando o Espaço Favela. Subir nesse palco vai ser muito simbólico, poder representar a minha trajetória, a minha música, a minha equipe, meus fãs e todas as pessoas que acreditaram em mim desde o começo. Acho que também mostra a força que o rap vêm conquistando dentro dos grandes festivais".
Ela adianta que está preparando um "show muito especial". "Diferente de tudo que já apresentei até agora, e quero realmente surpreender o público. Vou levar as músicas de 'Frequência Lunar' para palco pela primeira vez dentro desse contexto tão grandioso, então a expectativa está enorme. Estou muito empolgada pra viver esse momento e dividir essa nova fase com todo mundo".