Bruna Mascarenhas integra elenco de produção sobre a Copa de 1970Divulgação/Gustavo Uehara
Bruna Mascarenhas vive mulher de Pelé em produção sobre a Copa de 1970
Atriz comenta preparação, contexto histórico do tricampeonato e desafios da série da 'Netflix'
Rio - Bruna Mascarenhas, de 32 anos, integra o elenco de "Brasil 70: A Saga do Tri", série da Netflix que revisita um dos momentos emblemáticos da história do futebol brasileiro: a conquista da Copa do Mundo de 1970 no México. Na produção, a artista interpreta Rosemeri dos Reis Cholbi, primeira mulher de Pelé, papel conquistado após teste presencial com o diretor de casting, Gabriel Domingues.
"Por mais tranquila que você possa parecer, o presencial sempre vem acompanhado daquele frio na barriga. O legal também desse processo de casting foi que depois de eu já ter sido aprovada, eu voltei para fazer cena com os dois possíveis 'Pelé', era o teste final deles", conta.
A atriz revela detalhes do primeiro encontro com Lucas Agrícola, responsável por dar vida ao rei do futebol brasileiro. "Quando eu conheci o Lucas eu fiquei abismada com a semelhança, depois de ter feito teste com ele eu tinha certeza que seria o escolhido."
Bruna fala sobre os meios para compor a personagem baseada em uma figura real. "Procurei imagens, relatos sobre a vida deles na época, documentários e entrevistas para escutá-la e conhecer um pouquinho da sua postura. E o jogo de criação e relação que sempre acontece na sala de ensaio", destaca.
Ela também encontrou um equilíbrio entre o compromisso com os fatos e a liberdade criativa. Para a atriz, o próprio recorte narrativo da série contribuiu para esse processo. "Não tinha espaço para adentrar a relação de casal dos dois, a série tem um foco específico, que é retratar a Copa de 70. Portanto, não cabia indicar possíveis questões que eles talvez tivessem vivido".
Mais do que revisitar a campanha da seleção brasileira rumo ao tricampeonato, a produção também mostra o impacto da intensa exposição pública na vida pessoal de Pelé. "Ele era um cara muito família, acho que a série enfatiza isso muitas vezes, e desse amor e apoio que a família também dava a ele. Por outro lado, existia uma mídia sedenta por fofoca e informação, que amava alimentar uma confusão", comenta.
Um aspecto que chamou atenção de Bruna Mascarenhas foi a complexidade histórica que envolveu a conquista. "Eu não tinha exata dimensão da importância que teve a Copa de 70, as reviravoltas, a pressão por conta do Maracanaço e a interferência direta que a ditadura exercia no futebol. Achei um ponto importantíssimo de ser ressaltado e a série ajuda a revisitar esse momento da nossa história", diz.
Para a artista, os acontecimentos retratados em "Brasil 70: A Saga do Tri" podem ser observados sob uma perspectiva contemporânea. "É impossível não fazer paralelos com o presente quando se discute tanto o impacto da responsabilidade que acompanha pessoas que ocupam espaços de grande visibilidade, como atletas, artistas e outras figuras midiáticas".
Protagonismo
Bruna conquistou notoriedade ao interpretar Rita em "Sintonia" e relembra a chance de acompanhar a evolução da protagonista ao longo de cinco temporadas. "Acho que construímos personagens humanizados, que viviam numa corda bamba entre erros e acertos, e isso pra mim é um privilégio, ainda mais tendo tempo para encontrar as camadas dela. Amei acompanhar e construir a evolução de maturidade da Rita, também cresci e aprendi com ela", afirma.
O sucesso global da produção da Netflix surpreendeu a artista, que só percebeu a dimensão do trabalho quando passou a ser reconhecida pelos fãs do projeto. "Quando eu estava no carnaval do Rio e fantasiada, veio um inglês, me parou, olhou e disse: 'Rita? Sintonia?' Fiquei chocada! Depois fui recebendo mensagens de amigos que moram fora, compartilhando o impacto da série em pessoas próximas, mensagens que recebi de fãs do Iraque, da França, do Paquistão e de vários estados do Brasil também".
Novos Desafios
Com experiência em diferentes formatos, Bruna explica que a natureza de cada projeto e seus desafios são pontos que despertam o interesse na atuação. "Existe o projeto em si. Do que se trata, qual o tema que vamos abordar, como construir as relações interpessoais... Isso me impacta mais. Claro que existe uma diferença de tempo de produção de um filme e de uma série. Mas me sinto muito realizada em ambos os contextos", analisa.
A artista não esconde o desejo de explorar diferentes gêneros e perfis de personagem. "Eu gosto de me jogar no desconhecido. Acho que o campo da comédia seria muito desafiador de explorar. Adoraria fazer um filme de thriller, uma vilã em uma novela e personagens marginalizadas, humanas, que transitem entre seus erros e acertos", anseia.




