Ronald Sotto interpreta protagonista em novela da GloboMaria Magalhães / Divulgação
Olha, é um divisor de águas e a realização de um sonho que vem sendo construído passo a passo. Ser o protagonista de "A Nobreza do Amor" não é apenas um destaque na minha carreira, mas a validação de toda a minha caminhada até aqui, de cada personagem que defendi antes. Então encaro o Tonho não só como um grande presente, mas como uma responsabilidade enorme.
O que mais me conecta ao Tonho é a ética dele. Ele é um homem movido por valores muito sólidos, pelo desejo de fazer o bem e pela preocupação com as pessoas ao seu redor. Eu também me identifico com essa ideia de acreditar no trabalho, na honestidade e na força das próprias raízes. Para construí-lo, mergulhei muito na observação desse homem do campo, entendendo o ritmo da terra, o valor da coletividade e a forma como ele se relaciona com o mundo.
Eu acho que essa virada humaniza o Tonho de uma forma muito bonita. Tornar-se um guerreiro, na nossa trama, não significa apenas pegar em armas ou ir para o embate físico; significa assumir uma postura de liderança e proteção que ele não imaginava que precisaria ter. O impacto disso na narrativa é enorme, porque o Tonho passa a carregar o peso de muitas vidas nas costas. Como ator, é um prato cheio, porque ganho novas camadas para trabalhar. A progressão dele deixa de ser uma linha reta e ganha uma força dramática muito maior, movimentando todos ao redor dele.
- A atriz Duda Santos divide o protagonismo com você na novela. Como é trabalhar com ela?
A Duda é uma parceira extraordinária. Nós nos conhecemos desde 'Malhação: Toda Forma de Amar' e construímos ao longo dos anos uma relação de confiança, respeito e admiração. Isso faz toda a diferença quando você precisa contar uma história de amor tão intensa quanto a de Tonho e Alika. Em cena, existe muita escuta e generosidade entre nós. E, nos bastidores, a gente se apoia muito e torce pelo crescimento um do outro.
- "A Nobreza do Amor" apresenta uma história moldada pelo protagonismo negro. Como você vê a relevância de trazer esse tema para o dia a dia do brasileiro?
Eu vejo isso como um passo fundamental de reparação e de celebração da nossa própria identidade. O Brasil é um país majoritariamente negro, e a nossa cultura foi forjada por essa força, mas a nossa teledramaturgia nem sempre refletiu essa realidade na mesma proporção. 'A Nobreza do Amor' não traz o protagonismo negro apenas como um detalhe, mas como a engrenagem principal de uma história rica, bonita e cheia de dignidade. É emocionante fazer parte desse movimento de transformação na TV. O brasileiro precisa se ver de verdade na televisão, com toda a sua complexidade, beleza e poder.
Olho para 2019 com muito carinho e orgulho. "Malhação: Toda Forma de Amar" foi o projeto que me apresentou ao grande público e onde tudo começou a ganhar uma nova proporção. Estava realizando o sonho de estrear na TV, cheio de expectativas. Aquela estreia foi o combustível fundamental para a minha progressão, porque me deu a certeza de que era exatamente esse caminho que eu queria trilhar para a vida toda.
- Você percebe uma diferença entre a sua atuação em 2019 e ela agora, em 2026?
Com certeza, a diferença é nítida e natural. Hoje, em 2026, sinto que a minha atuação ganhou muito mais maturidade, escuta e domínio do espaço. Toda a bagagem que acumulei nesses anos me deu uma segurança que eu não tinha lá atrás.
É um malabarismo, mas a paternidade me trouxe uma maturidade que reflete até na minha atuação. Quero que ele cresça sabendo que o pai trabalhou duro para abrir caminhos. Quando ele for mais velho, sentar com ele e rever essa história que estamos construindo agora e muitas outras.







