Tamires Dias analisa jogos da Copa do Mundo em atração da TV Globo Reprodução/Instagram
Tamires Dias comenta estreia na TV e avalia momento da Seleção
Jogadora aborda trabalho no 'Central da Copa', trajetória do time de Carlo Ancelotti e carreira no futebol
Rio - Vice-campeã olímpica no futebol feminino, Tamires Dias encara um novo desafio longe das quatro linhas. A jogadora do Corinthians apresenta o "Central da Copa", da TV Globo, ao lado do jornalista Tadeu Schmidt e do humorista Fábio Porchat. Na atração, ela analisa o desempenho das seleções e os principais lances da competição esportiva.
"A experiência tem sido muito positiva. Tenho aprendido muito com eles, é uma rotina muito diferente e desafiadora. Temos que conectar os pensamentos de forma rápida e transmitir isso de uma forma simples para o espectador. Com certeza é uma experiência única e muito especial que eu vou guardar para sempre na minha vida", declara.
Para a atleta, a principal mudança entre atuar nos gramados e comentar uma partida está na forma de se comunicar com o público. "Uma coisa é trabalhar no dia a dia com pessoas do meio, que conhecem os termos técnicos do futebol e vivem isso. Outra coisa é conseguir passar uma análise clara e objetiva para o público que não acompanha ou acompanha apenas durante uma Copa do Mundo."
Tamires destaca que a proposta da atração exige uma comunicação mais leve e acessível. "O 'Central da Copa' traz esse olhar de entretenimento, então a linguagem tem que ser mais simples. Tem sido desafiador deixar para trás esses termos tão técnicos e trazer termos que deem o entendimento que quero passar de forma clara", explica.
Aceitar o convite para integrar o programa exigiu uma reflexão sobre os impactos na carreira e na rotina como atleta. "Se eu realmente deveria participar, a forma de lidar com o dia a dia de treinos com o clube nesse período e como as pessoas que estão acostumadas a me acompanhar dentro de campo entenderiam essa participação... considerei várias coisas. Mas a minha decisão de aceitar foi muito assertiva pensando no meu pós-carreira."
O apoio da noiva, Gabi Fernandes, formada em comunicação, foi importante na preparação para a estreia na TV Globo. "Ela fez sessões comigo me preparando em termos de articulação, de voz, como me comportar e me comunicar melhor com o público. Me ajudou a trazer essa confiança para que pudesse me sentir segura para estar nesse programa e me sentir bem", garante.
Ela ressalta o acolhimento que recebeu de Tadeu Schmidt e Fábio Porchat nos bastidores. "Fora das telas são duas pessoas muito queridas, simpáticas, que procuram me ajudar a todo momento e me deixar confortável. Me dão autonomia para escolher o que quero falar, como quero falar, e me ajudam muito. Dividir com eles este momento está sendo surreal, parece que estou vivendo um sonho", celebra.
A convivência tem sido marcada por aprendizado e incentivo desde o início do projeto. "São duas pessoas que dispensam comentários no sentido dos profissionais que são, da competência que eles têm no que fazem, o quanto são comunicadores natos, cada um no seu perfil. Um raciocínio rápido, a facilidade em que eles tem para fazer o programa."
Futebol Feminino
Com o Brasil sendo país-sede da Copa do Mundo Feminina de 2027, Tamires acredita que o torneio pode marcar um ponto de virada para a modalidade e nas próximas gerações de atletas. "É a partir disso que muitos sonhos começam e comigo foi assim, vendo a Seleção Brasileira jogar. Vendo a Sissi, Pretinha, Roseli... Imagina toda a repercussão, os estádios cheios de crianças e com as mulheres sendo protagonistas? Quantas meninas não vão olhar para isso e pensar: 'eu posso muito mais'?", afirma.
Segundo a jogadora, a realização do evento esportivo pode significar uma oportunidade de transformação para o futebol feminino brasileiro. "Principalmente o entendimento de que as meninas, as próximas gerações podem mais e podem viver do futebol. Mas também o entendimento dos clubes da importância de incentivar a mulher no esporte. Não apenas as atletas, mas em todos os setores, as árbitras, as jornalistas, as mulheres fazerem parte desse cenário cada vez mais".
O momento pode, ainda, ajudar na consolidação de mudanças estruturais e ampliar a visibilidade da modalidade. "Temos que aproveitar esse momento para mudar o pensamento de pessoas que ainda não veem o futebol como um espaço que também é da mulher. Nós precisamos de incentivo e de estrutura para ganhar cada vez mais valor, atrair patrocinadores e o público", destaca.
Carreira
A lateral do Corinthians e da Seleção Brasileira relembra os obstáculos no início da trajetória no futebol. "Quando a gente decide que realmente quer realizar esse sonho, a gente passa por muitas dificuldades, barreiras e escuta muitos 'nãos'. E quando tem a oportunidade de vestir uma camisa como a do Corinthians e da Seleção Brasileira, você já sabe a causa que carrega e a bagagem que traz. Não tem nada mais inspirador e que te orgulha como atleta do que este momento", expressa.
Para ela, a carreira também se traduz em legado e conexão com torcedores. "Em todos os lugares onde passei, consegui deixar as portas abertas, criar boas conexões e ajudar também fora de campo, deixar uma semente positiva. Não tem preço você ser lembrada de forma positiva por onde passou e eu tenho muito orgulho do que eu construí e sigo construindo no futebol", diz.






