Aventuras Maternas: Amizade invisível

Embora não exista um padrão determinante para um criança ter amigos imaginários, alguns perfis normalmente apresentam mais casos

Por O Dia

Malu, de 2 anos, brinca com amigos invisíveis, depois de conhecer o trabalho da mãe
Malu, de 2 anos, brinca com amigos invisíveis, depois de conhecer o trabalho da mãe -

Thaís começou a conversar com sua amiga imaginária aos 3 anos (hoje tem 4). A mãe, Camila Tuboi, ficou um pouco assustada no início e, então, foi pesquisar artigos sobre o assunto e conversar com a pediatra da menina e uma psicóloga, que logo a acalmaram. "Ela começou a falar sozinha enquanto brincava e depois me contou que conversava com a Cloe". Com Malu, de 2 anos, os amigos invisíveis apareceram logo depois que conheceu o ambiente de trabalho da mãe, Aline Freitas. "Ela fala como se estivesse comentando sobre amigos da escola, mas diz que são do trabalho. No início, achei curioso, perguntei se eram gente boa, onde viviam, como eram, até pra saber se era só um amigo imaginário mesmo", lembra.

Embora não exista um padrão determinante para um criança ter amigos imaginários, alguns perfis normalmente apresentam mais casos, como filhos mais velhos ou únicos, crianças com pais separados ou que um dos responsáveis se ausente por muito tempo e as que passam por mudanças de estilo de vida. Porém, em todas as circunstâncias, o aparecimento desse amigo deve ser visto como algo normal. "A psicologia entende, hoje em dia, que essa situação aguça a capacidade criativa da criança e é uma transição da fase de dependência absoluta para o início da independência", esclarece Carla Arima, psicóloga do Instituto Ideah.

A também psicóloga Cristine Lima, da Clínica Eubiose Integração em Saúde, explica que ter amigos imaginários — sim, pode ser mais de um — é muito normal na faixa etária entre 3 e 6 anos, e que esse amigo pode ser algo palpável, como um brinquedo que a criança vai lidar como se tivesse vida; ou nada concreto, como se estivesse ao lado de outra pessoa, alguém invisível. "Acho importante enfatizar também que não é a falta de amigos que leva a criança a ter os imagináveis, e, sim, a sua necessidade de lidar com seus conflitos e suas problemáticas emocionais. Um exemplo que costumo dar é o da criança que leva uma bronca da professora e não fica bem resolvida, e aí, quando vai brincar, chama a atenção de seu amigo imaginário como a professora fez com ela", complementa.

E como os pais devem lidar com a questão? "Com naturalidade", pontua a neuropsicóloga Bia Sant'Anna. "Podem perguntar sobre o amigo imaginário, mas sem incentivar demais. Não se deve falar que está vendo, mas, sim, explicar que faz parte da imaginação. Perto dos 5, 6 anos, os pais já devem ser mais incisivos, explicando que é o 'amigo da sua imaginação'".

Um cuidado importante é não falar que a criança está mentindo ou que aquilo não existe. Em vez disso, que é algo da fantasia, da imaginação ou do faz de conta. Quando a criança fala sobre seus amigos imaginários, está falando o que se passa dentro da cabeça dela. Então, os pais podem ouvir e acolher como uma forma de manifestação de desejos, anseios ou frustrações", completa Bia.

 

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