Mônica Martelli em cena da peça 'Minha Vida em Marte'Divulgação / Camila Cara
Exclusivo 'Minha missão nessa vida é colocar pra fora o que eu sinto', diz Mônica Martelli
Atriz celebra temporada carioca do sucesso 'Minha Vida em Marte' e já pensa em novo espetáculo: 'A gente está querendo mais lugar de fala'
Rio - Mônica Martelli não tem medo de ser a porta-voz das mulheres maduras em seus dramas e alegrias. Aos 54 anos, a atriz está de volta ao Rio de Janeiro com a peça "Minha Vida em Marte", em que interpreta a personagem Fernanda durante uma crise no casamento de oito anos. A artista comemora o retorno do espetáculo à Cidade Maravilhosa cinco anos depois de sua estreia, que deu continuação ao sucesso de bilheteria "Os Homens São de Marte... E é pra Lá que eu Vou!".
"Eu estou voltando pra cidade onde eu morei (por) 40 anos, onde tudo começou. Eu me formei aqui, escrevi meu primeiro sucesso aqui. Então, estou muito feliz em voltar pra cá, em estar reestreando na cidade onde tudo na minha vida aconteceu", declara a autora da peça, que fica em cartaz até dia 12 de fevereiro, em curta temporada no Teatro Casa Grande, no Leblon, na Zona Sul do Rio. Em um monólogo, Fernanda desabafa com sua terapeuta sobre assuntos que vão desde a perda da libido ao medo de ficar sozinha.
Atualmente, Mônica vive em São Paulo com a única filha, Júlia, de 13 anos, fruto do antigo casamento com Jerry Marques. Perto de completar quatro anos de namoro com o empresário Fernando Altério, de 70, a atriz explica o segredo que levou a história de Fernanda a conquistar não só o público do teatro, como também os milhões de espectadores das versões cinematográficas. "Na peça, eu falo de tudo que eu passei na minha vida, o que eu passo, todos sentimentos. E é o que todo mundo passa", afirma.
"A identificação está na verdade, está no 'não-medo' de falar sobre a falta de libido, o medo de se separar depois dos 40 anos, das dúvidas que a gente tem dentro de uma relação. Então, eu acho que a identificação (do público) é porque é muita verdade em cena. A comédia está, é claro, na forma de falar da situação, mas o humor está em você se identificar com aquela situação. Você ri daquilo que se identifica. Você ri e você também se questiona", reflete.
A criadora do espetáculo, que tem direção de sua irmã, Susana Garcia, ainda comenta que as angústias de Fernanda são tão atuais que não foi necessário alterar o texto da peça em sua primeira temporada após a pandemia da covid-19. E Mônica já adianta os questionamentos que podem se transformar em uma nova trama: "Como é essa mulher com 50 anos, como estou agora? Como é essa mulher solteira? Como é essa mulher separada? Como é enfrentar a vida? Como é enfrentar a menopausa?"
"Agora, no mundo onde a gente vive até 90 anos, a terceira fase da vida está muito mais longa do que as outras fases. Se você for parar pra pensar, depois de 50 anos, a vida é muito mais longa do que a adolescência. Como que é viver essa etapa da vida num país onde o padrão de beleza é a juventude? Um país que enaltece a juventude pra tudo. A gente está querendo mais lugar de fala. Porque nós estamos mais ativos do que nunca. Eu acho que eu quero falar sobre isso. Acabei de ter essa ideia agora", dispara a atriz.
"Eu entendi que a minha missão nessa vida é colocar pra fora o que eu sinto, o que eu penso. E isso é uma doação que eu faço, é dessa forma que eu me liberto também dos meus fantasmas. É dessa forma que eu ajudo as pessoas a passarem por situações que eu passo e que eu já passei", completa.
Amizade com Paulo Gustavo
Ao longo de "Minha Vida em Marte", Fernanda cita o amigo Aníbal, que foi interpretado pelo ator Paulo Gustavo nas duas adaptações para os cinemas. Fora das telonas, Mônica Martelli também viveu uma grande história de amizade com o comediante, que morreu em maio de 2021, vítima da covid-19. Com muito afeto, a atriz ainda lembra da primeira vez que riu com o humorista, por acaso, no momento em que se conheceram, em uma pizzaria do Baixo Leblon.
"Ali, ele agachou pra falar comigo, ele nem me conhecia. Ele virou pra mim e falou assim: 'Já saiu do cheque especial?' Eu lembro que eu ri, e lembro a sensação de olhar pra ele e falar: 'meu Deus, eu nunca mais quero desgrudar dessa pessoa'. Porque a gente se apaixona pelos nossos amigos. Nós nos apaixonamos um pelo outro", diz.
A artista, que também participou do filme "Minha Mãe é uma Peça", ainda descreve o impacto que a relação com Paulo Gustavo teve em sua vida. "Uma semana depois, ele bateu na porta da minha casa com um videocassete da Beyoncé e eu passei a tarde inteira vendo o Beyoncé com ele. Eu falei: 'gente, quem é essa pessoa que veio aqui e me deu uma tarde de alegria?' Porque a gente está sempre enrolado no trabalho, com compromisso, e, de repente, aparece a pessoa no meio da sua casa como se fosse uma fada, um anjo, e você passa uma tarde vendo show da Beyoncé. E eu falei 'c*ralho, que pessoa é essa? É uma pessoa que traz prazeres'", completa.
Trajetória de sucesso
Em 2023, Mônica celebra 18 anos desde que subiu no palco pela primeira vez com "Os Homens São de Marte... E é pra Lá que eu Vou!". A apresentadora revela que construiu uma carreira de sucesso com a ajuda de outra lição que aprendeu com o melhor amigo. "Uma das coisas que eu mais admirava no Paulo Gustavo era a forma como eles se valorizava. Então, toda vez que eu estou insegura eu falo: 'Mônica, peraí, quem é você hoje? Você é essa mulher? Então, vai lá com o tamanho que você conquistou'", afirma.
Natural de Macaé, a atriz também é sincera ao expor o que diria para a "Mônica de 2005", antes da estreia do monólogo que a transformou em um dos grandes nomes da comédia brasileira. "'Ouve a sua intuição, confie em você. Ouça o teu coração'. Porque o mundo aqui fora está sempre cheio de opinião pra dar. As pessoas têm sempre conceitos formados a seu respeito, e a gente esquece de se conectar com o nosso interior. Eu falaria pra ela: 'não se perca de você nunca'. É esse o trabalho que eu faço na minha vida. Eu faço terapia há 30 anos pra não me perder de mim. Eu acho que essa é a única saída pra gente conseguir ser feliz."









Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.