Hoje, dia 2 de abril, é o Dia Mundial de Conscientização do AutismoReprodução
Autismo: conheça os impactos do diagnóstico tardio
Hoje é comemorado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo
Olá, meninas!
Muitos adultos passam a vida inteira sentindo que algo não se encaixa. O cansaço social constante, a necessidade de rotinas rígidas, a angústia em interações sociais e até crises de ansiedade parecem fazer parte de sua personalidade. Até que um diagnóstico tardio de autismo chega e, com ele, as dúvidas. "Mas será que é isso mesmo?", "Não é só ansiedade?", "Se fosse autismo, alguém já teria percebido antes".
A neuropsicóloga Bárbara Calmeto, diretora do Autonomia Instituto, explica que essa reação é comum em adultos que passaram décadas tentando se encaixar sem entender suas dificuldades. "Muitos passaram anos sendo chamados de tímidos, esquisitos ou ansiosos, e internalizaram isso como parte da identidade. Quando o diagnóstico de autismo chega, há um conflito: aceitar significa ressignificar a própria história", pontua.
A negação pode ser um mecanismo de defesa. Pessoas que já buscaram respostas em diagnósticos errados, como transtorno de ansiedade generalizada ou depressão, podem ter dificuldades em aceitar que não estavam erradas, mas sim, lidando com um cérebro que funciona de maneira diferente.
Outro fator é a camuflagem social, um hábito inconsciente que muitos adultos autistas desenvolveram ao longo da vida. Forçar expressões faciais, decorar respostas para conversas e imitar comportamentos para parecer normal são estratégias que mascaram o autismo e tornam o diagnóstico tardio ainda mais difícil de aceitar.
"Não é incomum que um adulto autista questione se está exagerando, já que aprendeu a agir de maneira neurotípica. Mas a verdade é que essa adaptação constante tem um custo alto, levando ao que chamamos de ressaca social, um cansaço extremo após interações", explica Bárbara.
Apesar do impacto inicial, a aceitação do diagnóstico pode trazer um profundo alívio. Ao compreender suas dificuldades, a pessoa deixa de se culpar por não conseguir funcionar da mesma forma que os outros. "Muitos adultos relatam que, depois do diagnóstico, finalmente fazem as pazes consigo mesmos. Passam a respeitar seus limites, entender suas sensibilidades e buscar ambientes mais acolhedores", diz a neuropsicóloga.
Identificar-se como autista não significa que as dificuldades desaparecem, mas sim que há uma nova perspectiva para enfrentá-las. O suporte adequado, seja com profissionais especializados, grupos de apoio ou conteúdo informativo, pode tornar esse caminho mais leve e trazer mais qualidade de vida. Afinal, o diagnóstico não muda quem a pessoa é, mas pode mudar sua relação consigo mesma.
Aguardo vocês no meu programa na TV Band, o Vem Com a Gente, de segunda a sexta a partir das 13h40. E também no meu Instagram @gardeniacavalcanti.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.