Da compra na rua aos links suspeitos, veja os cuidados simples que evitam prejuízo na foliaDivulgação
Segundo o advogado Francisco Gomes Junior, especialista em direito digital e presidente da ADDP, o próprio clima do carnaval acaba ajudando os criminosos. “Aglomeração, consumo de bebidas alcoólicas, pressa e pagamentos improvisados criam um ambiente em que a atenção diminui. Esse contexto traz maior fragilidade aos foliões, que acabam sofrendo golpes sem nem perceber”, explica.
E não é difícil imaginar como isso acontece. Um dos problemas mais comuns são as fraudes com cartão, principalmente nas compras feitas na rua. Muita gente não confere o valor que aparece na maquininha ou entrega o cartão na mão de outra pessoa. “Em alguns casos há troca de cartão, em outros, a cobrança é muito maior do que o produto. Pedir o comprovante e conferir o valor no momento do pagamento é uma medida simples, mas fundamental”, orienta o especialista.
Os pagamentos por aproximação também pedem atenção redobrada. De acordo com Francisco, dá sim pra aplicar golpe sem a pessoa nem perceber. “Máquinas podem ser aproximadas de bolsos, mochilas e doleiras em meio à multidão. Reduzir limites diários e levar apenas o necessário ajuda a diminuir os riscos”, diz. E quando o assunto é PIX, não tem mistério: sempre conferir dados e valores antes de confirmar qualquer transferência.
No mundo digital, os golpes também bombam durante o carnaval. Sites falsos e perfis fake surgem aos montes, aproveitando a empolgação da festa. Um clássico é o famoso “golpe do abadá”, quando páginas que imitam as oficiais oferecem abadás, camarotes VIP ou ingressos com descontos irresistíveis. O resultado? Dinheiro perdido e dados pessoais nas mãos erradas. “Esses golpes exploram a pressa e a euforia do momento. A pessoa acredita que vai perder uma oportunidade e acaba não verificando se a página ou o perfil é confiável”, explica o advogado.
E tem mais: os perfis falsos criados com inteligência artificial estão cada vez mais realistas, principalmente nas redes sociais e nos apps de relacionamento. Fotos perfeitas, histórias bem amarradas… tudo pra convencer a vítima a pagar por algo que simplesmente não existe. “As imagens são realistas e as histórias bem construídas, o que induz a vítima a realizar pagamentos por serviços que não existem. Durante o carnaval, é preciso desconfiar de ofertas relâmpago e evitar transferências para desconhecidos”, alerta Gomes Junior.
No fim das contas, curtir o carnaval com segurança passa por escolhas simples. “Os números mostram que os golpes são massivos e recorrentes. Não se trata de deixar de curtir a festa, mas de manter a atenção em situações previsíveis que, com cuidado, podem ser evitadas”, conclui. E ele ainda deixa uma dica prática pra quem vai pra rua: “Em festas e blocos de rua, uma estratégia segura é levar um celular mais simples, com apenas o aplicativo do banco e um valor mínimo para o dia, e deixar o aparelho principal em casa, com todos os dados pessoais e aplicativos de redes sociais e bancos”.

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