Amigas, vamos falar de uma notícia que merece atenção e, quem sabe, até um suspiro de esperança. Sabe aqueles vagões exclusivos para mulheres no metrô e no trem? Pois é. Eles podem passar a funcionar 24 horas por dia aqui no Rio.
A proposta foi aprovada na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e prevê que os vagões femininos estejam disponíveis o tempo todo nos trens da SuperVia e no MetrôRio. Hoje, esses espaços existem apenas nos horários de maior movimento, como de manhã cedo e no fim da tarde.
Mas vamos ser sinceras? O desconforto, o medo e as situações desagradáveis não escolhem horário. Muitas mulheres já passaram por aquele momento constrangedor dentro de um transporte cheio ou até vazio demais, quando a gente se sente vulnerável. E ninguém merece viver assim.
O projeto, apresentado pelo deputado Guilherme Delaroli, agora segue para a análise do governador Cláudio Castro. Se ele sancionar a proposta, a medida passa a valer oficialmente.
Claro que o mundo ideal seria aquele em que nenhuma mulher precisasse de um espaço separado para se sentir segura. Mas enquanto essa realidade ainda não chegou, toda iniciativa que traga mais proteção e tranquilidade no dia a dia é, sim, um passo importante.
Porque nós sabemos bem. A rotina da mulher já é cheia de desafios. Trabalho, casa, família, sonhos, correria, tudo ao mesmo tempo. O mínimo que merecemos é poder entrar em um vagão e fazer nosso trajeto em paz.
Pensando nisso, conversei com o querido Charlles Batista, policial rodoviário federal, ex-deputado estadual e atualmente conselheiro da Agência Reguladora de Transportes do Rio de Janeiro (AGETRANSP), órgão responsável por acompanhar e fiscalizar serviços como metrô, trens e barcas no estado.
Pude receber, inclusive, o Charlles no Vem com a Gente nesta semana, justamente para falar desse tema tão necessário para nós.
Confira abaixo nosso bate-papo sobre essa importante medida em prol das mulheres:
Como o senhor avalia a aprovação do projeto que prevê vagões femininos funcionando 24 horas nos trens e no metrô do Rio? A medida pode, de fato, aumentar a segurança das mulheres no transporte público?
A aprovação do vagão feminino para 24 horas é uma grande vitória, porque o assédio não acontece apenas nos horários de pico. Muitas mulheres usam o transporte à noite ou em horários de menor movimento e também precisam dessa proteção.
Caso a proposta seja sancionada pelo governador Cláudio Castro, as concessionárias estão preparadas para implementar essa mudança na prática
As concessionárias têm condições de implementar, mas a mudança exige adaptações operacionais e posso afirmar que as fiscalizações serão intensificadas.
Qual será o papel da Agetransp na fiscalização para garantir que a regra seja respeitada pelas operadoras?
Solicitar comprometimento das concessionárias e continuar fiscalizando, não podemos parar, se houver descumprimento haverá punição!
Na sua avaliação, o vagão exclusivo é uma solução eficaz para reduzir casos de assédio no transporte ou são necessárias outras medidas complementares?
Ele funciona como uma medida de proteção imediata. Nos trabalhos que fazemos de fiscalizações reforçamos que estamos ali para proteger as mulheres e conscientizar os homens. Conscientizar é fundamental porque não combate só o efeito do problema, mas também a causa. Quando mais pessoas entendem o problema, quem comete assédio passa a ser reprovado socialmente, e não mais ignorado.
Que outras ações o senhor acredita que poderiam ser adotadas para melhorar a segurança das mulheres que utilizam diariamente metrô e trens no estado?
Estamos lutando agora para que seja 2 vagões, e não apenas 1. Pintar os vagões femininos de rosa também estão nos planos, para que fique mais claro e visível o espaço reservado para elas.
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