A queda hormonal não elimina a doença e o acompanhamento continua sendo essencialReprodução/Internet

Tem um assunto que muita gente ainda entende errado e que merece uma conversa mais aberta, principalmente quando a gente fala de saúde feminina ao longo da vida. A endometriose não simplesmente “some” quando chega a menopausa. E sim, isso ainda surpreende muita gente.

Aproveitando que hoje é celebrado o Dia Internacional da Luta contra a Endometriose, vale olhar com mais carinho para essa condição que acompanha tantas mulheres por anos e, em alguns casos, continua presente mesmo depois do fim do ciclo menstrual.

Muita gente acredita que a menopausa resolve tudo, mas não é bem assim. A endometriose, que acontece quando um tecido parecido com o endométrio cresce fora do útero, pode continuar ativa e causando dor. Mesmo com a queda hormonal, o corpo ainda pode carregar inflamações, aderências e outras alterações que sustentam os sintomas.

Como explica a especialista, “Mesmo com a queda dos hormônios, a endometriose não necessariamente desaparece. Existem casos em que as lesões permanecem ativas e a dor continua impactando de forma significativa a vida da paciente”.

Ou seja, não dá para ignorar sinais do corpo só porque a menstruação acabou. Muitas mulheres continuam sentindo dores intensas, aquelas que atrapalham tarefas simples do dia a dia, como trabalhar, caminhar ou até manter uma rotina tranquila. E isso vai além do físico. O emocional também sente, e bastante.

Outro ponto que pede atenção é a reposição hormonal, tão comum na menopausa. Ela pode ajudar em vários sintomas, como ondas de calor e alterações de humor, mas também exige cuidado quando existe histórico de endometriose. “O tratamento precisa ser individualizado. A reposição hormonal pode trazer benefícios, mas também exige cautela em pacientes com histórico da doença”, explica Fabiane.

E tem mais um detalhe importante que quase ninguém fala. O diagnóstico nessa fase pode ser mais difícil. Muitas vezes, os sintomas acabam sendo confundidos com outras questões ou até minimizados. Aquela dor persistente vai sendo normalizada, quando na verdade não deveria.

A própria especialista reforça isso de forma bem direta: “A dor na menopausa não deve ser naturalizada. Quando persistente, precisa ser investigada com atenção. Existe um bloqueio importante no olhar para essas pacientes, que muitas vezes ficam sem resposta ou tratamento adequado”.

No fim das contas, o que fica é um recado bem claro. A endometriose não tem um ponto final definido e pode atravessar diferentes fases da vida. Por isso, informação, escuta e acompanhamento fazem toda a diferença.

Como a especialista resume, “O entendimento da endometriose como uma condição crônica, que pode atravessar diferentes fases da vida é fundamental para ampliar o cuidado com a saúde feminina. O acompanhamento contínuo, aliado a uma abordagem individualizada e multidisciplinar, é apontado como caminho para reduzir sintomas e preservar o bem-estar das pacientes”.

Falar sobre isso é também uma forma de acolher e dar visibilidade. Porque nenhuma dor deve ser ignorada só porque chegou uma nova fase da vida.
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