Entenda quais são os critérios utilizados pelos especialistas para diagnosticar o transtornoReprodução/Internet
Mas será que toda dificuldade de concentração significa mesmo um diagnóstico? A resposta é não.
Segundo o psiquiatra Dr. José Luis Leal, existe uma diferença importante entre os esquecimentos do dia a dia e um transtorno do neurodesenvolvimento. Para ele, o cérebro moderno está sendo constantemente bombardeado por informações, notificações e estímulos, o que pode provocar uma sensação de cansaço mental muito parecida com os sintomas do TDAH.
"A verdade é que exigimos demais do cérebro. São muitas telas, muitas informações e pouco descanso. Esse esgotamento pode provocar uma desatenção que se parece muito com o TDAH, mas, na maioria das vezes, é apenas um sinal de que o corpo precisa desacelerar", explica o especialista.
O médico destaca que o diagnóstico de TDAH vai muito além de esquecer compromissos ou perder a concentração em alguns momentos. Existem critérios bem definidos para identificar o transtorno.
O primeiro deles é que os sintomas precisam acompanhar a pessoa desde a infância, normalmente antes dos 12 anos. Isso acontece porque o TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento e não costuma surgir de forma repentina na vida adulta.
Outro ponto importante é que a dificuldade de atenção deve aparecer em praticamente todos os ambientes da vida. Ela precisa estar presente no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos e até nas tarefas mais simples do cotidiano, e não apenas quando a atividade é chata ou desinteressante.
Além disso, esses sintomas precisam causar prejuízos reais. Entre eles podem estar dificuldades frequentes no desempenho profissional, problemas financeiros causados pela desorganização ou um histórico de baixo rendimento escolar.
Outro cuidado importante é evitar o autodiagnóstico. Vídeos curtos e listas de sintomas nas redes sociais podem até despertar identificação, mas não substituem uma avaliação médica. O risco é acreditar em um diagnóstico equivocado e até recorrer à automedicação, principalmente com estimulantes que podem provocar efeitos importantes no organismo.
Além disso, a dificuldade de concentração pode estar relacionada a outras condições de saúde. Ansiedade, depressão, burnout e até distúrbios do sono, como a apneia, também podem afetar a capacidade de manter o foco e precisam ser investigados para que o tratamento seja realmente eficaz.
Por isso, se você sente que a falta de atenção está prejudicando sua rotina, seu trabalho ou seus relacionamentos, o melhor caminho é procurar um psiquiatra ou neurologista. O diagnóstico do TDAH é feito por meio de uma avaliação clínica detalhada, levando em consideração o histórico de vida, os sintomas e, quando necessário, informações de familiares e outros profissionais de saúde.
Em um mundo cheio de distrações, nem toda falta de foco significa TDAH. Antes de tirar conclusões, vale a pena olhar para sua rotina, respeitar os limites do seu corpo e buscar orientação especializada. Afinal, cuidar da saúde mental também é aprender a separar o que faz parte do dia a dia daquilo que realmente precisa de atenção.

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