Michelle Gitahy fala sobre direitos, acolhimento e cuidado para pessoas com autismo.Mauricio Bazilio/SES-RJ

Olá, meninas!
Receber a suspeita ou o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista pode despertar uma mistura de sentimentos e, para muitas famílias, também trazer dúvidas sobre por onde começar e como buscar o atendimento adequado.
Mas informação, acolhimento e acesso aos serviços de saúde fazem toda a diferença nessa caminhada. Para falar sobre os direitos das pessoas com TEA, os caminhos para acessar o SUS e os avanços na rede de atendimento do Estado do Rio de Janeiro, conversei com a maravilhosa Michelle Gitahy, superintendente do Cuidado das Pessoas com Transtorno do Espectro Autista, na Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro.
Em um bate-papo esclarecedor e cheio de orientações importantes, ela explica como funciona essa rede e deixa uma mensagem essencial para as famílias: ninguém precisa enfrentar essa jornada sozinha.
Michelle, qual é o papel da Superintendência do Cuidado das Pessoas com Transtorno do Espectro Autista e quais serviços ela oferece à população fluminense?

A Superintendência do Cuidado da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (SUPCPTEA), vinculada à Subsecretaria de Atenção à Saúde da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, atua como área técnica de referência para as ações relacionadas ao cuidado das pessoas com Transtorno do Espectro Autista no âmbito estadual.
Entre suas atribuições estão a elaboração de diretrizes técnicas com a organização da Linha de Cuidado Estadual da Pessoa com TEA, o apoio técnico aos municípios, a articulação com as diferentes áreas da Rede de Atenção à Saúde e a realização de ações de educação permanente (capacitações) destinadas aos profissionais da pauta.
No âmbito da rede estadual, o atendimento especializado inclui serviços de referência para avaliação diagnóstica, como o Centro Estadual de Diagnóstico para o Transtorno do Espectro Autista (CedTEA), destinado a crianças e adolescentes, e o CedTEA 18+, localizado no Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro (CPRJ), voltado à avaliação diagnóstica de pessoas adultas, conforme os critérios de acesso definidos pela rede.

Quais são os principais direitos à saúde garantidos às pessoas com Transtorno do Espectro Autista pelo SUS e como as famílias podem acessá-los na rede estadual?
As pessoas com Transtorno do Espectro Autista têm direito ao cuidado integral no Sistema Único de Saúde, conforme os princípios da universalidade, integralidade e equidade.
O acesso ocorre, preferencialmente, pela Atenção Primária à Saúde, considerada a porta de entrada do SUS. As equipes acompanham o desenvolvimento, identificam sinais de alerta, realizam os encaminhamentos necessários e acompanham o percurso do usuário pelos diferentes pontos da Rede de Atenção à Saúde.
Quando há necessidade de avaliação especializada ou de reabilitação, o encaminhamento ocorre conforme os fluxos assistenciais estabelecidos no SUS, respeitando a organização regional da rede e as necessidades de cada usuário.

Quando uma família recebe a suspeita ou o diagnóstico de autismo, qual é o primeiro passo para iniciar o atendimento pela Secretaria de Estado de Saúde?
O primeiro passo é procurar a Unidade Básica de Saúde de referência do território, que constitui a porta de entrada preferencial do Sistema Único de Saúde. A Atenção Primária é responsável por acolher a família, realizar a avaliação inicial, acompanhar o desenvolvimento da criança e organizar os encaminhamentos necessários para a rede especializada, via regulação.
O cuidado não deve depender exclusivamente da confirmação diagnóstica. Na presença de sinais de atraso no desenvolvimento ou de suspeita de TEA, a avaliação e o acompanhamento devem ser iniciados conforme a necessidade identificada pela equipe de saúde, considerando que a intervenção precoce está associada a melhores desfechos no desenvolvimento infantil.
Passo a passo para o encaminhamento ao CedTEA - Divulgação
Passo a passo para o encaminhamento ao CedTEADivulgação
O Estado do Rio de Janeiro tem ampliado os serviços voltados às pessoas com TEA. Quais foram os principais avanços e quais projetos estão previstos para fortalecer essa rede de atendimento?
A organização do cuidado às pessoas com Transtorno do Espectro Autista no SUS envolve diferentes componentes, como a definição de diretrizes técnicas, a organização da Linha de Cuidado, os fluxos assistenciais, os serviços de referência, a educação permanente (capacitações) dos profissionais e a articulação entre Estado e municípios.
A Política Nacional de Saúde e a organização da Rede de Atenção à Saúde orientam esse processo, que busca garantir acesso ao cuidado de forma regionalizada, integral e contínua ao longo do ciclo de vida. A área técnica permanece desenvolvendo suas atribuições institucionais relacionadas à organização da Linha de Cuidado, ao apoio técnico aos municípios e à educação permanente (capacitações) dos profissionais, sempre observando as diretrizes do Sistema Único de Saúde.

Ainda há muitas famílias que se sentem perdidas após o diagnóstico. Que orientação a senhora considera essencial para quem está começando essa jornada e busca acolhimento e tratamento de qualidade?
A primeira orientação é que a família saiba que não precisa enfrentar esse momento sozinha. A rede de saúde dispõe de diferentes pontos de atenção que podem orientar a família desde a avaliação inicial até os encaminhamentos necessários, conforme as necessidades identificadas pela equipe de saúde. Também é importante buscar informações em fontes confiáveis e baseadas em evidências científicas.
Infelizmente, ainda circulam muitas informações sem respaldo técnico, que podem gerar falsas expectativas ou atrasar o acesso às intervenções mais adequadas. Outra mensagem fundamental é que cada pessoa com autismo é única. O cuidado deve ser individualizado, respeitando as necessidades, potencialidades e o momento de vida de cada pessoa.
Por fim, reforço que a família é parte essencial do processo terapêutico. Quando profissionais e familiares dialogam de forma integrada, com as orientações precisas é possível construir um cuidado mais humanizado, contínuo e efetivo, favorecendo o desenvolvimento, a participação social e a qualidade de vida da pessoa com TEA e de toda a sua rede de apoio.