Entre críticas, padrões de beleza e comparações, talvez esteja na hora de olhar para o nosso corpo com mais carinhoReprodução/Instagram

Olá, meninas!
Tem uma coisa curiosa sobre ser mulher: parece que nosso corpo está sempre em pauta. A gente emagrece, perguntam se está doente. Engorda, perguntam se “relaxou”. Muda o cabelo, alguém opina. Não muda, alguém pergunta quando vai se cuidar. E, quando finalmente coloca um biquíni e vai curtir as férias em paz… pronto: lá vem a avaliação pública.

Foi exatamente isso que aconteceu com Georgina Rodríguez, que recentemente viu o próprio corpo virar assunto depois de fotos de férias em um iate, na Itália, repercutirem nas redes sociais. A influenciadora e noiva de Cristiano Ronaldo decidiu responder aos comentários e fez uma reflexão que, sinceramente, vale para muito mais mulheres do que apenas para ela.

Georgina contou que chegou a conversar com Cristiano sobre as críticas e revelou uma preocupação bastante real: como ela trabalha com a própria imagem, ouvir comentários sobre estar “gorda” mexeu com ela. A resposta dele, porém, foi justamente tirar o foco do corpo e lembrar quem ela é para além da aparência.

E talvez seja aí que esteja a grande questão.

Por que a gente ainda acha que o corpo de uma mulher é assunto público?

O mais interessante no desabafo de Georgina é que ela não está dizendo que não gosta de se cuidar. Muito pelo contrário. Ela conta que gosta de treinar, que a academia faz bem para sua saúde física e mental e que o exercício faz parte da rotina dela. A diferença é enorme: uma coisa é cuidar do corpo porque ele faz você se sentir bem. Outra é viver tentando consertá-lo para caber na expectativa de alguém.

E vamos combinar? Quantas de nós já não passamos por isso?

Às vezes, nem precisamos ouvir uma crítica direta. Basta encontrar uma foto antiga, experimentar uma roupa que não veste como antes ou olhar para uma mulher na televisão e pensar: “Eu deveria estar daquele jeito”.

É uma comparação silenciosa, mas cansativa.

E existe uma cobrança especialmente cruel quando falamos de mulheres famosas. Elas precisam estar sempre bonitas, mas não podem parecer que se esforçaram demais. Precisam ter um corpo definido, mas não podem envelhecer. Podem ser mães, mas parece que existe uma expectativa de que o corpo volte rapidamente ao que era antes. Podem mudar, desde que mudem na direção considerada “certa”.

Mas quem decidiu qual é essa direção?

Georgina fez justamente essa pergunta ao refletir sobre o padrão de beleza. E talvez a resposta mais honesta seja: não existe um corpo feminino correto. Existe o nosso corpo, que muda com o tempo, com a idade, com a maternidade, com a rotina, com os hormônios, com as escolhas e até com as fases da vida.

E ainda bem.

Porque um corpo que muda é um corpo que está vivendo.

Essa talvez seja a parte mais bonita do que ela escreveu. Georgina falou sobre suas curvas, sobre o corpo que lhe permitiu gerar filhos, abraçar, cair e levantar. É uma mudança de olhar importante: em vez de perguntar “como esse corpo está?”, talvez a gente pudesse começar a perguntar **“o que esse corpo já fez por mim?”**

Quantas vezes olhamos para nossas pernas e pensamos apenas se estão grossas ou finas, sem lembrar de todos os lugares para onde elas nos levaram?

Quantas vezes olhamos para a barriga e enxergamos apenas uma gordurinha, sem lembrar que ela mudou ao longo de uma vida inteira?

Quantas vezes olhamos para o rosto e procuramos uma ruga antes de perceber tudo o que já vivemos?

Talvez esteja na hora de parar de tratar o envelhecimento, as mudanças e as marcas do corpo como uma espécie de fracasso.

E isso não significa abandonar o autocuidado. Pelo contrário. Podemos fazer academia, cuidar da alimentação, fazer tratamentos estéticos, usar maquiagem, mudar o cabelo, emagrecer ou ganhar massa muscular. Tudo isso pode fazer parte de uma relação saudável com nós mesmas.

O problema começa quando o cuidado deixa de ser escolha e vira obrigação.

Quando a mulher não pergunta mais “o que me faz bem?”, mas “o que vão pensar de mim?”.

No fim das contas, acho que a reflexão de Georgina vai muito além de um comentário sobre uma foto de biquíni. Ela toca em uma ferida que muitas mulheres conhecem bem: a sensação de que nunca estamos exatamente boas o suficiente.

E talvez o verdadeiro luxo seja outro.

É poder olhar para o espelho e não procurar imediatamente o que precisa ser consertado.

É entender que o corpo não precisa pedir desculpas por mudar.

É se cuidar porque ama a própria vida, e não porque está em guerra consigo mesma.

Porque, como a própria Georgina lembrou, o corpo muda. E que bom que muda.