Como estamos em Agosto, devemos nos lembrar de uma campanha muito importante para nós, mães, futuras mamães e para toda a sociedade: o Agosto Dourado, mês de conscientização sobre a importância do aleitamento materno.
A gente sabe que o leite materno é considerado o alimento mais completo para os primeiros meses de vida. Ele oferece os nutrientes que o bebê precisa, ajuda a fortalecer o sistema imunológico, contribui para a prevenção de doenças e ainda cria aquele vínculo tão especial entre mãe e filho.
Mas os benefícios vão muito além da alimentação. A amamentação também reduz o risco de internações e ajuda a construir uma sociedade mais saudável desde os primeiros dias de vida.
Em 2026, a Semana Mundial do Aleitamento Materno traz como tema “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona”. E a proposta combina muito com uma conversa que precisa ser cada vez mais presente: incentivar a amamentação, mas também olhar para as mulheres que estão passando por esse período.
Os números mostram que o Brasil avançou. Segundo o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani), a taxa de amamentação exclusiva entre bebês de até seis meses chegou a 45,8% no país.
Para vocês terem uma ideia desse crescimento, em 2006, esse índice era de 37,1%. E, há cerca de 40 anos, chegava a apenas 4,7%.
É uma evolução importante, sem dúvida. Mas ainda temos um caminho pela frente.
Quando falamos em manter o aleitamento materno até os dois anos de idade, por exemplo, o índice registrado foi de 35,5% das crianças, abaixo da meta de 60% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
E existem diferenças importantes entre as regiões do país. O percentual de aleitamento continuado foi maior no Nordeste, com 48%, e menor no Sudeste, com 23,4%.
Olha como os números vão mudando conforme a idade da criança: entre 12 e 15 meses, mais da metade delas, 52,1%, ainda era amamentada. Esse percentual cai para 43% entre 16 e 19 meses e chega a 35,5% entre 20 e 23 meses.
E aqui existe uma questão que acho muito importante a gente lembrar: embora a amamentação seja um processo natural, isso não significa que seja sempre fácil.
Amamentar pode exigir bastante da mulher, física e emocionalmente, além de envolver questões sociais e toda uma adaptação à nova rotina. Por isso, ninguém deveria passar por esse período se sentindo sozinha.
É aí que entra a tão importante rede de apoio.
Parceiros, familiares, amigos, profissionais de saúde e toda a comunidade podem fazer diferença no acolhimento e no suporte oferecido às mães. Às vezes, ajudar não significa necessariamente fazer alguma coisa grandiosa. Pode ser ouvir, acolher, respeitar o tempo daquela mulher, ajudar na rotina ou simplesmente estar por perto.
Dentro desse contexto, muitas mulheres enfrentam dúvidas e inseguranças. Diante disto, recebi nesta semana lá no programa Vem com a Gente da Band Rio a coordenadora de Enfermagem do Hospital Pasteur, da Rede Total Care, Juliana Lima, que esclareceu 10 dos principais mitos e verdades sobre a amamentação.
Amamentar ajuda a prevenir o câncer de mama e de ovário?
Sim. A amamentação previne o câncer de mama e de ovário principalmente ao reduzir a exposição da mulher aos hormônios estrogênio e progesterona. Durante a lactação, ocorre a inibição da ovulação e uma queda natural na produção hormonal. Além disso, o processo estimula a renovação e eliminação de células mamárias que poderiam apresentar alterações.
É normal sentir tristeza, irritabilidade, ansiedade ou inquietação durante a amamentação? Sim. Algumas mulheres podem apresentar a chamada disforia da ejeção do leite, caracterizada por sentimentos repentinos de angústia, irritação, tristeza ou ansiedade segundos antes da descida do leite. Geralmente, a sensação dura poucos minutos e desaparece espontaneamente. Caso seja intensa ou persistente, é importante procurar orientação profissional.
Algumas mulheres produzem “leite fraco”?
Não. Esse é um dos maiores mitos sobre a amamentação. O leite materno começa a ser produzido entre a 16ª e a 20ª semana de gestação e é naturalmente adaptado às necessidades de cada bebê, variando sua composição ao longo da mamada e conforme o crescimento da criança. Quando o bebê parece insatisfeito, o problema costuma estar relacionado à pega inadequada, à baixa frequência das mamadas ou a outras dificuldades na amamentação, e não à qualidade do leite.
É preciso beber muito líquido para produzir mais leite?
Não. Mulheres que amamentam devem manter uma boa hidratação, de acordo com suas necessidades. O excesso de líquidos não aumenta a produção de leite. O principal estímulo para a produção é a sucção frequente do bebê.
É proibido comer chocolate durante a amamentação?
Não. O chocolate pode ser consumido com moderação. Não há necessidade de restringi-lo, salvo orientação médica específica, caso o bebê apresente alguma reação relacionada à alimentação materna.
Cerveja preta aumenta a produção de leite?
Mito. Não existe evidência científica de que a cerveja preta aumente a produção de leite. Pelo contrário, o álcool passa para o leite materno e pode dificultar a ejeção do leite. Durante a amamentação, o consumo de bebidas alcoólicas deve ser evitado.
Mulheres com prótese de silicone não podem amamentar?
Mito. Na maioria dos casos, a prótese de silicone não impede a amamentação. O sucesso depende principalmente da técnica utilizada na cirurgia e da preservação dos ductos e nervos da mama.
Quem usa medicamentos para ansiedade ou depressão precisa interromper a amamentação?
Nem sempre. Muitos medicamentos utilizados para tratar ansiedade e depressão são compatíveis com a amamentação. Suspender o tratamento por conta própria pode trazer riscos à saúde da mãe. A decisão deve sempre ser tomada em conjunto com o médico.
O leite materno é o melhor cicatrizante para rachaduras nos mamilos?
Sim. O leite materno contém substâncias que podem auxiliar na cicatrização e, em alguns casos, pode ser aplicado nos mamilos após as mamadas. No entanto, o mais importante é identificar e corrigir a causa das rachaduras, geralmente relacionada à pega ou ao posicionamento do bebê. Se as lesões persistirem, é fundamental buscar ajuda profissional.
Amamentar dói, mesmo quando a pega está correta? Não. Nos primeiros dias pode haver uma leve sensibilidade enquanto as mamas se adaptam. No entanto, dor intensa, persistente ou rachaduras não são consideradas normais. Quando a pega está correta, a amamentação tende a ser confortável. Se houver dor, é importante avaliar a posição do bebê, a pega e outras possíveis causas para corrigir o problema o quanto antes.
Busca de apoio
Futuras mães, muitas delas de primeira viagem, encontram apoio e informação no Méier, Zona Norte do Rio de Janeiro. Desde 2020, mais de 2 mil gestantes já participaram do curso gratuito promovido pelo Hospital Pasteur. Somente no último ano, mais de 400 mulheres foram atendidas pela iniciativa, que incentiva e apoia o aleitamento materno.
Aberto à comunidade, independentemente de possuir plano de saúde, o curso funciona como uma rede de acolhimento e orientação para mulheres que se preparam para a chegada do bebê. O objetivo é oferecer informação qualificada e apoio emocional durante a gestação e o puerpério.
A programação inclui palestras ministradas por obstetras, pediatras, nutricionistas e enfermeiras especialistas, que abordam o manejo clínico da amamentação, a pega correta, as posições para amamentar e estratégias para superar os principais desafios do pós-parto, promovendo um aleitamento mais seguro.
Também são discutidos temas como gestação, parto, puerpério e cuidados com o recém-nascido. Os encontros ainda oferecem espaço para esclarecimento de dúvidas e desconstrução de crenças comuns relacionadas à maternidade.
As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo e-mail cursogestantepasteur@amil.com.br.
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