Na hora de ir às compras, 45% optam pelas lojas físicasAgência Brasil

Além das despesas tradicionais do início do ano, como IPTU e IPVA, este período também é marcado pela volta às aulas. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva e QuestionPro revela que os gastos com materiais escolares impactam significativamente o orçamento de 88% das famílias brasileiras que têm filhos em idade estudantil. Especialistas ouvidos pelo jornal O DIA dão dicas de como economizar e alertam para os materiais que não podem ser exigidos pelas escolas.
De acordo com o estudo, 84% dos entrevistados afirmam que os preços dos materiais escolares influenciam decisões em outras áreas, como lazer, alimentação ou contas do mês. Na hora de ir às compras, 45% optam pelas lojas físicas, enquanto 39% contam que pretendem comprar também em lojas on-line.
O assessor de investimentos Caio Ignacio diz que, antes de ir às compras, planejar é fundamental. "Faça um checklist do que pode ser reaproveitado, priorize itens críticos para o início das aulas e deixe ‘desejáveis’ para promoções sazonais", menciona. "Compare por preço por unidade (grama/folha), use cupons, cashback e kits e avalie marcas equivalentes, tendo cuidado com licenças que encarecem sem ganho pedagógico".
Assessor de investimentos Caio Ignacio  - Arquivo pessoal
Assessor de investimentos Caio Ignacio Arquivo pessoal
Caio também aponta que comprar em maior quantidade pode ser uma estratégia para conseguir desconto. "Compras coletivas entre pais e negociação à vista em loja física geram poder de barganha; no on-line, atenção a frete, prazo e reputação do vendedor", diz.
Morador do Rio, Lucas Neves, de 28 anos, costuma seguir essa dica para economizar nas compras do material escolar de sua filha de 5 anos. "Comprar junto com outra pessoa para ter mais descontos é uma estratégia. No meu caso, aproveito meus sobrinhos e compramos juntos. Os itens estão cada vez mais caros, mas existem locais que praticam bons preços, principalmente se houver muita concorrência", explica.
Lucas Neves, que tem uma filha de 5 anos, costuma comprar o material junto com os sobrinhos para economizar - Arquivo pessoal
Lucas Neves, que tem uma filha de 5 anos, costuma comprar o material junto com os sobrinhos para economizarArquivo pessoal
Já Florence Antunes, de 43 anos, mãe de duas filhas, de 15 e 7 anos, ressalta que uma boa estratégia é evitar as lojas físicas.
Florence Antunes, mãe de duas filhas, afirma que uma boa estratégia é evitar as lojas físicas - Arquivo pessoal
Florence Antunes, mãe de duas filhas, afirma que uma boa estratégia é evitar as lojas físicasArquivo pessoal
"Eu peço bastante coisa na internet, pois na loja física costumamos cair em armadilhas de levar mais do que precisamos. Além disso, as crianças são muito visuais, vislumbram as marcas", afirma. "A minha dica é encher os carrinhos de compra e ir comparando os preços."
"Quando elas pedem itens mais caros, sempre prevalece o bom senso. Negocio com elas o custo-benefício, explico desde sempre o valor, mostro o preço, deixo elas sempre por dentro da realidade. Mas, quando é algo que elas já querem, que já vêm pedindo há mais tempo, eu tento atender, na medida do possível!", frisa.
Dicas de preço
O DIA foi atrás dos materiais de melhor qualidade e menores preços para a volta às aulas.
Entre os itens encontrados, a Caçula oferece uma caixa de lápis de cor da marca Kit, com 12 cores, por R$ 3,99. No site da loja, também é possível encontrar 12 canetinhas coloridas da Compactor por R$ 8,99, além de uma tesoura sem ponta, disponível nas cores rosa e preta, por R$ 3,99.

Já na Kalunga, está disponível um apontador da Faber-Castell, em tons pastéis, por R$ 4,00, um kit com duas borrachas, também da Faber-Castell, por R$ 6,90, e um pacote com 12 cores de massa de modelar, por R$ 5,50. Para quem precisa de tinta guache, a rede também oferece um pacote com 12 cores, por R$ 7,90, da marca Radex. Procurada pela matéria, a Kalunga informou que os preços no site e nas lojas físicas são os mesmos.
No site das Lojas Americanas, há cadernos com diferentes capas em promoção. Os de uma matéria, com 80 folhas, custam R$ 9,99, enquanto os maiores, de dez matérias, saem por R$ 19,99. A loja também oferece agendas a partir de 14,99.
Com até 60% de desconto em mais de 20 mil itens de diversas categorias, a Amazon disponibiliza um estojo de marca-texto da CIS, com seis cores, por R$ 14,00, além de um kit de lápis da Faber-Castell, com 14 unidades, por R$ 10,60. Também é possível encontrar no site uma cola em bastão branca, da 3M, por apenas R$ 3,89. A caixa de giz de cera da Tilibra, com 12 cores, está por R$ 6,90.
Para quem pretende trocar a mochila do ano passado, a Bagaggio oferece diversas opções, com e sem rodinhas, com preços a partir de R$ 49,90, para todas as idades. Já na Redley, é possível encontrar mochilas em promoção por R$ 89,00, nas cores preta, cinza e verde.
Os preços foram consultados no dia 16 de janeiro e estão sujeitos a alterações.
Variação de preço
Uma pesquisa realizada pela Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor, por meio do Procon Carioca, identificou variações de até 835,48% entre itens de material escolar amplamente procurados pelos consumidores cariocas. 
O levantamento — realizado na quarta, 14, e quinta-feira, 15 — analisou os preços de 17 produtos com alta demanda nas listas escolares, como lápis, borracha, régua, apontador, giz de cera, cadernos, papel A4, mochilas e lancheiras. 
Os preços foram coletados em e-commerces de grandes varejistas com forte presença no mercado carioca, entre eles Amazon, Americanas, Kalunga, Magazine Luiza e Mercado Livre. 
O item que apresentou a maior variação de preço foi a régua 30 cm New Line azul, encontrada por R$ 3,10 na Kalunga e por R$ 29 na Amazon, o que representa uma diferença de 835,48%. Em segundo lugar no ranking, o gizão de cera Faber-Castell, com 12 cores, custava R$ 8,10 na Kalunga e R$ 54,90 no Mercado Livre, uma variação de 577,78%. 
A terceira maior diferença foi identificada no kit escolar 1º grau New Line, vendido por R$ 6,30 na Kalunga e por R$ 24,69 no Magazine Luiza, uma variação de 291,90%. Em seguida, a tesoura escolar sem ponta 13 cm Maped apresentou preços de R$ 4,70 na Kalunga e R$ 16,94 na Amazon, o que representa uma diferença de 260,43%, impacto significativo no orçamento das famílias. 
Fechando o ranking das maiores variações, a borracha oval Mercur (com duas unidades) foi encontrada por R$ 5,60 na Kalunga e por R$ 18,52 na Amazon, uma diferença de 230,71%.
Materiais que não podem ser exigidos
O Procon Carioca informou a O DIA quais materiais não podem ser pedidos pelas escolas. "O órgão reforça que as escolas não podem exigir marcas, modelos específicos ou indicar locais de compra, conforme determina o Código de Defesa do Consumidor", pontuou em nota.
O órgão também chama a atenção para os materiais coletivos. "É proibida a inclusão de materiais de uso coletivo ou administrativo, cujos custos já devem estar embutidos na mensalidade escolar, como papel higiênico, material de limpeza, copos descartáveis, toner e cartuchos de impressora, giz, apagadores, pincéis para quadro branco, além de materiais de escritório e produtos de higiene coletiva."
Lojas físicas x lojas digitais
O consultor financeiro Renan Diego esclarece as vantagens e desvantagens de comprar em lojas físicas e digitais.

Consultor financeiro Renan Diego  - Arquivo pessoal
Consultor financeiro Renan Diego Arquivo pessoal

Segundo ele, as lojas físicas permitem que o consumidor veja e teste o produto, troque-o com mais facilidade e não pague frete. Já as lojas digitais, apesar de não proporcionarem essas vantagens, costumam ter preços mais baixos.
"As lojas digitais possuem maior variedade de produtos e são mais fáceis de comparar os valores entre diferentes vendedores. Entretanto, é preciso verificar se, de fato, o produto entregue corresponde ao que foi adquirido, além de ser necessário ficar atento ao prazo de entrega", explica. "Vale ressaltar que o que mais compensa depende do item. Produtos básicos costumam valer mais a pena on-line; itens urgentes ou de uso imediato, em lojas físicas."
"Os itens escolares que historicamente apresentam maior variação de preço entre lojas são os cadernos, mochilas, estojos, lápis de cor, canetinhas e pastas organizadoras. Produtos com marcas famosas costumam ter diferenças ainda maiores de preço. Esses produtos podem ter diferenças de preço superiores a 50% entre lojas", destaca.