Líderes da União Europeia e Mercosul AFP
O acordo é o mais significativo já alcançado pelo Mercosul em acesso de mercado e vai criar a maior área de livre-comércio do mundo, após 26 anos de negociações. Juntos, Mercosul e União Europeia reúnem cerca de 720 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto de aproximadamente US$ 22 trilhões.
A presidente da Comissão Europeia também citou a "importância geopolítica" do acordo, frisando que cria-se uma plataforma para que os países trabalhem sobre uma série de problemas globais, como a proteção do meio ambiente, destravar a competitividade e discutir a reforma de instituições globais. "Vamos juntar forças como nunca antes", ponderou.
O paraguaio ressaltou que o acordo é o "maior compromisso comercial negociado pelo Mercosul e um dos mais relevantes celebrados pela União europeia" e vai "beneficiar milhões de cidadãos que verão melhoras substanciais em suas vidas".
De outro lado, Peña destacou que não se pode "cair no erro da autocomplacência". Segundo o presidente, foi "perdido muito tempo" e poderia ter se chegado a um acordo mais proveitoso. "Poderíamos ter feito mais e conseguido mais benefícios para nossos povos. Apostemos em um futuro com mais coragem, audácia e aprofundemos nossa União. Em um mundo complexo, UE e América do Sul devem se unir para mostrar um caminho diferente", assinalou, citando um futuro em que os blocos sejam "atores principais da história".
O chefe do Executivo do Paraguai ainda acenou ao presidente Lula, lamentando sua ausência no evento. Segundo Peña, sem Lula o bloco não haveria chegado a "este dia".
"Lula foi um dos impulsores fundamentais deste processo. Em seu nome saúdo a todos os líderes e visionários do Mercosul que apostaram na integração no século XXI para deixar atrás a história de conflito que marcou o continente em épocas anteriores", frisou.
"Em um cenário internacional marcado por incertezas e tensões, este acordo envia uma mensagem clara e positiva ao mundo. Acreditamos na cooperação, no diálogo e em soluções construídas de forma coletiva. O comércio é uma das dimensões da parceria entre o Mercosul e a União Europeia, lastreada em valores comuns Democracia, Estado de direito, respeito aos direitos humanos e proteção do meio ambiente estão plenamente refletidos no acordo que assinamos hoje", destacou.
Orsi ponderou que, com o acordo, se assume "responsabilidade histórica com o Estado de Direito, a democracia e comércio justo". No início de seu discurso chegou a ponderar que alguns pactos "se assinam em condições ideais e outros quando as circunstâncias exigem".
"Em mundo atravessado por tensões e erosão de certezas, o acordo tem uma relevância particular. Não só porque constitui a maior área de livre-comércio do mundo, mas porque reafirma decisão clara. Apostar pelas regras em tempo de volatilidade e mudanças permanentes", frisou.
Ainda segundo o presidente do Uruguai, o pacto passa a mensagem de que o acordo expressa aspiração central de inserção internacional. "Para nós, ser sustentável é ser previsível; e ser previsível é ser confiável", destacou ainda, explicando que o acordo "também fortalece diálogo político baseado na democracia e nos direitos humanos".
Nessa linha, sustenta que o acordo pode "chegar tarde, mas chega em momento mais oportuno". Segundo Costa, há intenção de "criar esferas de prosperidade compartilhada". "Não pretendemos nem dominar nem impor, mas reforçar vínculos entre cidadãos e empresas para criar riquezas de forma sustentável. Não queremos gerar dependência, queremos gerar redes de comércio, regras e confiança. Enquanto alguns levantam barreiras e outros violam normas de competitividade leal, fazemos pontes e pactuamos normas", disse.
Na visão do presidente do Conselho Europeu, o acordo vai ajudar a "caminhar" em um "entorno geopolítico cada vez mais turbulento" sem renunciar a valores. "Juntos somos mais fortes para enfrentar desafios", ponderou.
Milei defendeu também que é "fundamental que na etapa de implementação se preserve o espírito do negociado". "A incorporação de mecanismos que restrinjam esse acesso, como salvaguardas ou medidas equivalentes, reduzirá significativamente o impacto econômico do acordo e atentará contra o objetivo essencial do mesmo. Temos que velar em nossos parlamentos para que isso não ocorra", registrou.
O presidente da Argentina sustentou também que o "fechamento e protecionismo, amparado pela retórica em lugar dos resultados, são as causas do estancamento econômico". Segundo ele, a liberdade e a interação internacional são caminho para Argentina e Mercosul mais prósperos.
Milei ainda aproveitou o discurso para elogiar a ação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Venezuela. "Valorizamos a decisão e a determinação", indicou após se referir ao ex-presidente capturado Nicolás Maduro como narcoterrorista e ditador A ponderação ocorreu após o presidente sustentar que o "movimento em direção a liberdade e comércio é a base de qualquer integração genuína".







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