Acordo UE-Mercosul criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundoMarcos Oliveira/Agência Senado
Segundo a CNI, a formalização do acordo é uma virada estratégica para a indústria brasileira. O levantamento indica também que 54,3% dos produtos negociados - mais de cinco mil itens - terão imposto zerado na União Europeia assim que o acordo Mercosul-UE entrar em vigor.
Ainda de acordo com a análise, o Brasil terá, em média, oito anos adicionais para se adaptar à redução tarifária, se comparado ao prazo do bloco europeu e considerando o comércio bilateral e o cronograma previsto no Acordo Mercosul-UE.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a formalização da parceria entre Mercosul e UE ocorre em um momento estratégico para o Brasil.
Com base nos dados de 2024, 82,7% das exportações do Brasil para a UE passarão a ingressar no bloco sem tarifa de importação desde o início da vigência. Por outro lado, o Brasil se comprometeu a zerar imediatamente tarifas de 15,1% das importações com origem na União Europeia.
Em 2024, segundo a CNI, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil à UE foram criados 21,8 mil empregos e movimentados R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção.
A instituição avalia que, em relação ao setor agroindustrial, o acordo também traz resultados positivos. No caso da carne bovina, são mais do que o dobro das concedidas pela União Europeia a parceiros como o Canadá e mais de quatro vezes superiores às destinadas ao México. As cotas de arroz superam o volume atualmente exportado pelo Brasil ao bloco, ampliando o potencial de acesso ao mercado europeu, destaca a CNI.
Oportunidades
A CNI diz ainda que a assinatura do tratado cria um ambiente favorável para ampliar projetos conjuntos de pesquisa e desenvolvimento voltados à sustentabilidade e à inovação tecnológica.
CNI atuou em prol do acordo ao longo da negociação Durante o período de negociação do acordo, a CNI atuou na construção de um posicionamento convergente do setor produtivo, especialmente por meio da Coalizão Empresarial Brasileira (CEB).
Em 2024, a União Europeia foi destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, o equivalente a 14,3% do total exportado pelo país, e permanece como o segundo principal mercado externo do Brasil. No mesmo período, o bloco respondeu por US$ 47,2 bilhões das importações brasileiras, 17,9% do total
Em 2024, 98,4% das importações brasileiras provenientes do bloco corresponderam a produtos da indústria de transformação, enquanto 46,3% das exportações brasileiras à UE foram de bens industriais. Considerando os insumos industriais, a participação no comércio em 2024 foi de 56,6% das importações originárias do bloco e de 34,2% das exportações do Brasil para a União Europeia.
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