Segundo levantamento realizado pela ABIACOM, perspectiva de faturamento do e-commerce para 2026 é de R$ 259,8 biArte

O smartphone desbancou o computador e é o dispositivo mais usado pelos brasileiros para realizar compras on-line. Segundo o Ecommerce Trends 2026, pesquisa realizada pela Octadesk em parceria com a Opinion Box, os dispositivos móveis são utilizados em 78% das compras do e-commerce, seguidos por 20% em computadores e 2% em tablets. 
As compras via mobile são impulsionadas pela mudança do comportamento do consumidor, cada vez mais digital, e mais da metade prefere realizar as compras à noite ou de madrugada.

Além disso, o avanço tecnológico com o 5G, os aplicativos de lojas e marketplaces e as vendas por plataformas como Instagram e TikTok Shop também colaboram para esse movimento.
“O consumidor busca praticidade e, por isso, o celular à mão se tornou uma ferramenta poderosa de compra. Por outro lado, as empresas têm o desafio de oferecer uma navegação simples e sem fricções. Quanto mais simples for comprar, maiores são as chances de conversão de vendas”, afirma Mahara Scholz, Head de Revenue na Octadesk.
Ameaça ao consumidor
Segundo a Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (Abiacom), a previsão de crescimento do setor para 2026 é de 11% em relação ao ano anterior. Para orientar o leitor a comprar de forma segura e sem comprometer o planejamento financeiro, O DIA ouviu especialistas que destacaram a importância de adotar práticas conscientes.
De acordo com o levantamento realizado pela Abiacom, a perspectiva de faturamento para este ano é de R$ 259,8 bilhões, frente a R$ 235,5 bilhões em 2025. O ticket médio deve alcançar R$ 562,15, enquanto o volume de pedidos chegará a 460,87 milhões, impulsionado por 97,06 milhões de compradores.
O desenvolvedor de software personalizado e consultor de tecnologia digital Celso Souza destaca as principais dicas para quem busca fazer compras digitais com segurança.
Celso Souza, desenvolvedor de software personalizado, consultor de tecnologia e CEO da Nova Web - Arquivo pessoal
Celso Souza, desenvolvedor de software personalizado, consultor de tecnologia e CEO da Nova WebArquivo pessoal
"A principal recomendação para realizar compras on-line com segurança é evitar transações em sites desconhecidos. Essa medida preventiva assemelha-se a não estacionar um veículo em locais escuros: trata-se de uma precaução básica que deve ser adotada rigorosamente. É essencial priorizar plataformas reconhecidas no mercado, pois a magnitude dessas operações pressupõe um nível adequado de segurança", explica.
"Em suma, a proteção no ambiente digital exige a construção de hábitos sólidos, sem eles, o usuário torna-se suscetível à grande maioria dos ataques cibernéticos causados pela imprudência."
Celso Souza também aponta os principais golpes. "As fraudes mais frequentes envolvem o roubo de dados de cartão de crédito e a captura de senhas, geralmente perpetrados por meio de compras em plataformas desconhecidas."
Segundo ele, outra prática recorrente é induzir o usuário a fornecer informações em sites maliciosos. "É fundamental cultivar o hábito de não digitar senhas em solicitações, a menos que haja absoluta certeza sobre a legitimidade do pedido, evitando agir de forma automática frente a plataformas ou mensagens duvidosas."
Conferir links também é uma dica importante, frisa o especialista em segurança digital Carlos Rafael Gimenes das Neves.
Carlos Rafael Gimenes das Neves, professor do curso de Ciência de Dados e Negócios da ESPM - Arquivo pessoal
Carlos Rafael Gimenes das Neves, professor do curso de Ciência de Dados e Negócios da ESPMArquivo pessoal
"A primeira coisa que você precisa fazer é olhar a barra de endereço. Todos os navegadores hoje, modernos e atualizados, tomam um carinho com o link. Geralmente, o endereço que é propriamente o domínio é pintado de uma cor diferente do restante. Esse é um golpe que vem ocorrendo frequentemente. As pessoas acham que é a loja oficial porque só olham o começo e o final do endereço, mas não é", diz.
Neves também chama atenção para o uso do cartão de crédito. "Por um lado, optar pelo uso do Pix evita que você precise inserir os dados do seu cartão. Por outro, o cartão é uma opção que te dá mais controle, no caso de estorno, por exemplo. Nesse caso, o ideal é utilizar a opção do cartão virtual, disponível em muitos bancos, para uma única compra."
Verificar a reputação do vendedor e as avaliações também são práticas essenciais, ressalta o especialista em segurança digital. "Se o preço estiver muito baixo, é preciso desconfiar. Se em todo lugar o produto está por R$ 4 mil ou R$ 4,5 mil, é muito difícil alguém conseguir vender esse produto por R$ 800, por exemplo. Tem algo errado aí. É preciso procurar e negociar, mas, abaixo da metade do preço, é necessário ter muita certeza do que está fazendo".
Além dos golpes mais frequentes, ficar de olho no planejamento financeiro também é essencial quando se fala de compras digitais. Renata Baldin, especialista em gestão e prevenção de riscos, afirma que comprar pela internet pode contribuir para a impulsividade.
Renata Baldin, executiva jurídica, especialista em gestão e prevenção de riscos - Arquivo pessoal
Renata Baldin, executiva jurídica, especialista em gestão e prevenção de riscosArquivo pessoal
"As compras digitais tendem a aumentar o gasto impulsivo porque recebemos muitos estímulos, muitas influências, e a decisão de comprar está a apenas um clique. Não envolve o movimento de ter que pegar o carro, sair de casa e experimentar."
Morador do Rio de Janeiro, o designer gráfico Pedro Balducci, de 22 anos, conta que já adquiriu produtos de forma impulsiva, principalmente em promoções. "Hoje eu tento me controlar, esperando um pouco antes de finalizar a compra e pesquisando em mais de um site. Isso ajuda a evitar arrependimento e gastar além do necessário", diz.
Pedro Balducci, designer gráfico - Arquivo pessoal
Pedro Balducci, designer gráficoArquivo pessoal
Balducci comenta que costuma comprar mais coisas pela internet do que pessoalmente. "Hoje em dia, eu compro mais on-line do que em lojas presenciais, muito pela falta de tempo. Acaba sendo bem mais prático resolver tudo pelo celular. Costumo comprar de tudo um pouco: itens do dia a dia, roupas, eletrônicos, livros e jogos."
Apesar disso, o designer alerta para o lado negativo do e-commerce. "Ajuda bastante a economizar porque dá pra comparar preços com facilidade e encontrar promoções, mas ao mesmo tempo também pode incentivar compras desnecessárias pela praticidade."
O também morador do Rio Eduardo Santos, de 20 anos, relata que costuma comprar pelo celular por conta da economia.
Eduardo Santos, estudante de publicidade - Arquivo pessoal
Eduardo Santos, estudante de publicidadeArquivo pessoal
"Se você souber garimpar, os cupons e as promoções relâmpago ajudam muito a baixar o valor final. No fim das contas, o bolso agradece. Hoje, tento parar e refletir antes de fechar o carrinho. Me faço perguntas, como: ‘Eu realmente preciso disso agora?’ ou ‘Isso é um investimento ou só mais uma coisa para acumular?’. É preciso pensar duas vezes antes de gastar", adverte.
Santos lembra que a melhor experiência de compras que teve foi em uma loja de roupas on-line. "Pedi uma camisa personalizada, mas a arte que enviei deu erro na estamparia e o fundo ficou ruim. Em vez de só entregar o produto errado, eles entraram em contato, pediram a arte corrigida e me enviaram as duas camisas sem cobrar nada a mais. Esse tipo de cuidado fideliza demais o cliente", explica.
Como comprar sem comprometer o orçamento?
Para ajudar o leitor a se planejar, a especialista em finanças Renata Baldin separou uma série de dicas de como comprar sem entrar no vermelho.
Defina um orçamento mensal: determine um valor máximo para compras on-line por mês. Isso evita que pequenas compras se somem e virem um problema maior.
Evite compras por impulso: viu algo interessante? Espere 24 horas antes de comprar. Muitas vezes o desejo passa e você economiza. Além disso, é importante conversar com quem já comprou para obter o feedback.
Faça uma lista do que realmente precisa: assim como no supermercado, tenha uma lista de itens que vai comprar.
Cuidado com o parcelamento: parcelas pequenas dão falsa sensação de controle. Antes de parcelar, pense no impacto total no seu orçamento dos próximos meses. Olhe sempre as vantagens de desconto para pagamento com Pix.
Aproveite promoções com consciência: nem toda promoção é vantagem. Pergunte-se: eu compraria isso se não estivesse em desconto?
Desative notificações e e-mails promocionais: essas mensagens são gatilhos constantes para consumo. Menos estímulo = menos compras impulsivas.
Acompanhe suas entregas e compras: manter controle do que já comprou evite compras duplicadas ou esquecidas.
Empresas apostam nas vendas digitais
Com a expansão das vendas digitais, as empresas têm apostado cada vez mais nesse formato para aumentar a comercialização de seus produtos e serviços e alcançar novos públicos.
Fernando Cerqueira, CEO da Mauá do Brasil, empresa do setor de limpeza fundada no Rio de Janeiro, afirma que o modelo de vendas on-line tem trazido resultados positivos para a marca.
Fernando Cerqueira, CEO da Mauá do Brasil, Rio de Janeiro - Arquivo pessoal
Fernando Cerqueira, CEO da Mauá do Brasil, Rio de JaneiroArquivo pessoal
"Além do tradicional boca a boca, que funciona por ser um produto que atravessa gerações, o nicho de influenciadores e as redes sociais desempenham um papel significativo ao impulsionar a visibilidade, especialmente quando um produto se torna viral", destaca.
"Hoje, nossos itens podem ser encontrados em diversas redes de mercados e supermercados, além de pequenas lojas e, claro, em nossa loja on-line", pontua o CEO.
A Kalunga comunicou que as vendas digitais realizadas atualmente representam cerca de 25%, com destaque para produtos de informática, papelaria e material para escritório.
Já a Casas Bahia revela que o total de vendas on-line teve crescimento de 21,7% em comparação ao último ano, com o e-commerce totalizando R$ 5,8 bilhões. Segundo a empresa, os números englobam as vendas realizadas diretamente pela própria companhia (1P on-line) e as transações feitas por vendedores parceiros dentro do marketplace (3P).
Os principais produtos que se sobressaem nesse modelo de vendas da Casas Bahia são telefonia e eletroeletrônicos. A empresa também destaca que o uso de "IA tem impulsionado a produtividade em áreas estratégicas, como atendimento ao cliente, logística, vendas e análise de dados, e tem sido fundamental na estratégia de transformação".
A reportagem também entrou em contato com a C&A, Lojas Americanas, Magazine Luiza e Renner, mas não teve acesso às informações até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.