Chanceler Mauro Vieira defendeu a qualidade da carne brasileira exportada para a União EuropeiaMarcelo Camargo/Agência Brasil
"A questão de aprovação de sanidade dos produtos brasileiros, é uma questão que se trata cotidianamente, sempre. O Brasil é um grande exportador de proteína animal para os Estados Unidos, para a União Europeia, para a Ásia, para todos os continentes", disse. "O Brasil é um dos maiores exportadores no setor agrícola de forma geral e esse diálogo com as autoridades locais é constante porque a vigilância sanitária em cada país - como também é no Brasil — sempre evolui e pede informações adicionais", continuou.
Essa questão específica com a UE, conforme o chanceler, já vinha sendo discutida. "Isso não é uma novidade e tampouco é uma decisão que entra em vigor automaticamente. Se entrar em vigor, será em setembro deste ano e neste período evidentemente que se pode conversar e negociar e trocar informações entre as equipes técnicas", explicou.
Vieira detalhou que o aviso veio de uma instância técnica da União Europeia em que se está discutindo a questão de usos diferentes medicamentos na produção das proteínas. "Isso continuará sendo examinado, todos os dados serão trocados e nós temos a certeza de que poderemos provar que a qualidade da carne brasileira - que é reconhecida no mundo inteiro - é sem dúvida nenhuma inatacável. Nós temos excelentes produtos, excelentes qualidades e usamos apenas os medicamentos que são aprovados mundialmente", afirmou.
O ministro considerou que "não é pouco" ter a aprovação para exportação de carne brasileira para a União Europeia, para os Estados Unidos, para os países da Ásia. "São países que têm exigências grandes e nós sempre as cumprimos. Acho que é uma questão que não tem nada a ver com a aprovação e entrada em vigor agora, nos últimos dias, do acordo com a União Europeia. É a continuação dos contatos entre as equipes técnicas para se manter a comprovação em dia de que a produção é feita dentro dos critérios internacionais, dos critérios com a aprovação dos medicamentos, dos critérios de todos, todas as regras permitidos e aceitos internacionalmente."
"Foi uma visita excelente e uma conversa muito boa em todos os sentidos. Um dos aspectos que o presidente chamou atenção e fez questão de insistir foi sobre a necessidade de cooperação entre o Brasil e os Estados Unidos no combate ao crime transnacional e às organizações criminosas", disse. Ele relatou que Lula falou sobre a questão do contrabando de armas para o Brasil, do tráfico internacional de entorpecentes e também o combate à lavagem de dinheiro, que é muito importante.
O brasileiro teria proposto a Trump que haja uma maior cooperação entre os dois países nessas áreas: "São temas que já foram tratados e contam com alguns mecanismos em vigor, mas o que o presidente propôs foi um mecanismo maior, mais amplo e que possa abordar definitivamente essa questão do crime organizado", descreveu.
Vieira reforçou que foi estabelecido um período de aproximadamente 30 dias para que cada um dos lados fizesse um exame dos temas que poderiam ser aprofundados e examinados com mais detalhes e voltar a discutir por meio de videoconferência.
"Foi o terceiro encontro pessoal do presidente Lula com o presidente Trump, além de várias chamadas telefônicas, em que continuamos e aprofundamos a discussão dos nossos assuntos bilaterais", enfatizou, reforçando que a relação entre as partes existe há 202 anos, desde que os EUA reconheceram a independência do Brasil.
O chanceler também disse que foi aprofundada a conversa sobre o comércio bilateral e que os dois lados estão empenhados em encontrar novos caminhos para que possam ter cada vez mais relações comerciais e investimentos cruzados: "Os Estados Unidos são o maior investidor externo no Brasil, mas o Brasil tem também importantes investimentos nos Estados Unidos que geram empregos e impostos", comparou.
Sobre as tarifas, o ministro destacou ainda que as taxas agora estão entre 10% e 12% do comércio exterior brasileiro e que, portanto, são "reduzidas": "Nós continuamos trabalhando para prestar esclarecimentos e, sobretudo, para deixar muito claro que o Brasil tem um déficit há 15 anos no comércio bilateral com os Estados Unidos. Portanto, nós tentamos provar que a tributação imposta inicialmente ao Brasil, pelos Estados Unidos, não tinha sentido, não tinha cabimento", considerou.