Ministério da Fazenda reduziu de 2,3% para 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026Marcelo Camargo/Agência Brasil
Segundo a SPE, a revisão reflete principalmente os efeitos dos juros ainda restritivos sobre a atividade econômica, com impacto mais acentuado nos setores de serviços e indústria. A equipe econômica também passou a considerar uma trajetória de flexibilização monetária "marginalmente mais gradual do que o previsto" anteriormente.
Inflação em 4,9%
A meta contínua estabelecida para o país é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O limite superior, portanto, é de 4,5%.
Segundo a SPE, a revisão incorpora os resultados do IPCA até julho, que ficaram parcialmente abaixo do previsto anteriormente, principalmente no caso dos preços de alimentos consumidos nos domicílios e, em menor medida, dos serviços.
A Fazenda também citou a melhora das expectativas de inflação e a manutenção da Taxa Selic (juros básicos da economia) em nível contracionista, que desestimula a atividade econômica.
"A revisão também incorpora a melhora das expectativas de inflação para 2026, a manutenção da taxa Selic em patamar contracionista ao longo do ano e a desaceleração esperada da atividade econômica no segundo semestre de 2026", ressaltou a SPE no relatório.
Serviços e indústria
As novas estimativas são:
- Serviços: de 2,4% para 1,8%;
- Indústria: de 2,1% para 1,7%;
- Agropecuária: de 1,8% para 2,8%.
No caso dos serviços, a Fazenda atribui a revisão ao "carrego mais fraco deixado pelo primeiro semestre" e à transmissão, com defasagem, da política monetária sobre a demanda doméstica.
O endividamento das famílias também aparece como fator de restrição ao consumo. Segundo o boletim, embora o endividamento permaneça estável em relação à renda, o comprometimento com o pagamento das dívidas atingiu o maior nível da série histórica no segundo trimestre.
"O comprometimento com o serviço da dívida atingiu o maior nível da série histórica no segundo trimestre, o que limita a conversão do avanço da massa de rendimentos em consumo", destacou o relatório.
Pressão sobre 2027
As projeções passaram a ser:
- PIB: de 2,5% para 2,3%;
- IPCA: de 3,6% para 3,8%.
O fenômeno climático pode afetar inicialmente os preços de grãos e, posteriormente, exercer pressão sobre outros alimentos, incluindo carnes.
"A projeção para 2027 foi revisada para cima em razão dos efeitos de primeira ordem do El Niño sobre a produção de grãos e de segunda ordem sobre os preços das carnes", informou a SPE.
Juros e recuperação
De acordo com o boletim, a redução dos juros tende a beneficiar setores mais sensíveis ao ciclo econômico.
"A queda da Selic iniciada em 2026 transmite-se gradualmente ao crédito e à demanda doméstica, estimulando a indústria de transformação, a construção e os serviços mais cíclicos", destacou o documento.
A secretaria também prevê efeitos positivos sobre o investimento à medida que o custo de capital for diminuindo.
Riscos no cenário
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Efeitos do El Niño sobre a produção e os preços de alimentos;
- Comportamento do preço do petróleo;
- Condições do crédito para famílias e empresas;
- Ritmo de recuperação da demanda doméstica;
- Desempenho das exportações e da indústria extrativa.
Parâmetros para o Orçamento
O documento apresenta estimativas para indicadores como PIB, IPCA e Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e serve como referência para o planejamento das contas públicas.
As revisões permitem à equipe econômica atualizar os parâmetros utilizados nas projeções de receitas, despesas e demais componentes do planejamento fiscal conforme a evolução do cenário econômico.