Douglas Ruas (PL) pode ser eleito com resultado do primeiro turnoDivulgação

A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de anular os votos de Anthony Garotinho (Republicanos) muda o resultado da eleição para o Governo do Rio de Janeiro. Com o ex-governador inelegível, os votos recebidos por ele serão invalidados, fazendo Douglas Ruas (PL) ultrapassar 50% dos votos válidos e, consequentemente, ser eleito ainda no primeiro turno.
Antes de confirmar o resultado, no entanto, o TSE deverá encaminhar ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) a decisão proferida nesta quinta-feira (8). Caberá à Justiça Eleitoral fluminense adotar as providências decorrentes do julgamento, incluindo uma eventual retotalização dos votos.

Considerando os números finais da apuração, a retirada dos votos de Garotinho faria Ruas passar de 49,27% para aproximadamente 52,6% dos votos válidos. Eduardo Paes, por sua vez, ficaria com cerca de 45,7%. Dessa forma, o candidato do PL ultrapassaria o percentual necessário para vencer a disputa no primeiro turno.

O TRE-RJ, no entanto, ainda aguarda a comunicação oficial do TSE sobre o julgamento do recurso de Garotinho. Segundo o Tribunal, após receber a decisão, a Justiça Eleitoral fluminense tomará as medidas cabíveis e dará publicidade às providências adotadas.

O que acontece na prática

Com a anulação dos 274 mil votos recebidos por Garotinho, esses votos deixam de ser considerados no cálculo. Como o total de votos válidos diminui, o percentual dos demais candidatos aumenta, mesmo sem qualquer alteração na quantidade de votos recebidos por eles nas urnas.

Paes entra com recurso no STF

A equipe jurídica da coligação "Juntos Para Mudar, Coragem para Reconstruir", ligada ao candidato Eduardo Paes (PSD), recorrerá ao Supremo Tribunal Federal para tentar reverter a anulação dos votos de Garotinho. Em nota, o grupo ressaltou as divergências que resultaram no placar de 5x2 no TSE, afirmando que defende o "respeito à soberania popular e à exigência constitucional de maioria absoluta para a eleição de governador."
"A coligação entrará com pedido de medida cautelar para garantir a realização do segundo turno da eleição para governador do Estado do Rio de Janeiro, conforme a vontade manifestada pela maioria dos eleitores fluminenses nas urnas no último domingo", pontuou. O fato do ex-prefeito do Rio recorrer ao STF não garante que o resultado da votação no TSE será invalidado. 
Essa não é a primeira vez que Paes critica a eleição de Ruas no primeiro turno. Na segunda-feira (5), o candidato classificou como uma "manobra política" a desistência de Garotinho do recurso contra o indeferimento de sua candidatura. Em vídeo publicado nas redes sociais, o ex-prefeito da capital afirmou que a decisão teria sido articulada com Ruas.

"Hoje, um dia depois das eleições, o país recebe a notícia que o próprio Garotinho decidiu se declarar inelegível no TSE para os votos dele serem anulados e Douglas Ruas ser declarado vencedor. Ou seja, impedir que o segundo turno aconteça. Uma clara interferência no processo eleitoral. Estamos presenciando uma agressão sem precedentes à democracia", disse Paes em um trecho do vídeo.