Imane Khelif foi proibida de disputar o Mundial feminino pela IBA, mas recebeu autorização do COI de ir para a Olimpíada de ParisMohd Rasfan / AFP
Associação de boxe usa veto de Trump a atletas trans para processar COI
Olimpíada de Paris-2024 teve duas campeãs olímpicas alvos de acusações de serem transgênero
No embalo da decisão recente de Donald Trump de proibir atletas transgêneros de competições femininas nos EUA, a Associação Internacional de Boxe (IBA) afirmou nesta segunda-feira (10) que vai apresentar queixas criminais contra o Comitê Olímpico Internacional (COI) nos Estados Unidos, na França e na Suíça, por ter permitido a presença das boxeadoras Imane Khelif e Lin Yu-Ting na Olimpíada de Paris-2024.
As atletas foram alvo de denúncias de que seriam transgêneros, mas negaram publicamente e contaram com o apoio do COI e da organização dos Jogos de Paris.
Uma ordem executiva do presidente dos Estados Unidos sobre atletas transgêneros foi citada pela entidade que representa o boxe amador, banida da Olimpíada, para justificar a apresentação de queixas criminais.
"De acordo com a lei suíça, qualquer ação ou inação que represente um risco de segurança para os participantes da competição justifica uma investigação e pode servir de base para um processo criminal", disse a IBA, acrescentando que "queixas semelhantes devem ser apresentadas aos procuradores-gerais da França e dos EUA".
A IBA, financiada pela empresa estatal de energia russa Gazprom, também prometeu assessoria jurídica gratuita às boxeadoras para que elas possam mover processos contra o presidente do COI, Thomas Bach, e outras autoridades olímpicas de alto escalão.
"A ordem do presidente Trump de banir os atletas transgêneros do esporte feminino valida os esforços da IBA para proteger a integridade dos esportes femininos", disse o presidente da entidade de boxe, Umar Kremlev.
Entenda o caso entre COI e IBA
As ameaças na Justiça intensificam uma longa disputa entre a agora exilada IBA e o COI - e Kremlev contra Bach -, que assumiu o controle dos torneios de boxe nas duas últimas edições dos Jogos Olímpicos.
O COI sempre afirmou que as boxeadoras Imane Khelif, da Argélia, e Lin Yu-Ting, de Taiwan, cumpriram todas as regras de gênero do torneio olímpico. As duas atletas nasceram mulheres e sempre se identificaram como tal gênero. Ambas também competiram em Tóquio, em 2021, e não ganharam medalhas.
Khelif e Lin foram desqualificadas do Mundial de 2023, realizado pela IBA, que afirmou que elas não passaram nos testes de elegibilidade. Um ano depois, nos Jogos de Paris-2024, ambas se sagraram campeãs olímpicas de suas categorias.
Ataques de Trump
Apesar da decisão do COI, Donald Trump chamou ambas as boxeadoras de "homens" e, na última quarta-feira, na Casa Branca, falou sem evidências de "duas mulheres ou duas pessoas que fizeram a transição e ambas ganharam medalhas de ouro".
Trump assinou a ordem executiva, intitulada "Keeping Men Out of Women's Sports" (Mantendo os homens fora dos esportes femininos), que visa proibir a participação de atletas transgêneros em esportes femininos e de meninas.
A próxima edição da Olimpíada será realizada em Los Angeles, em julho de 2028, durante o mandato presidencial de Trump. E ele pediu ao COI na semana passada que mudasse tudo "que tenha relação com esse assunto absolutamente ridículo".
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