Evento Rainha do Mar acontecerá no próximo domingo (22), na praia de CopacabanaCréditos: Januzzi Films/Effect Sport

Rio -  No próximo dia 22, a praia de Copacabana vai receber mais uma edição do Rainha do Mar, o maior festival 100% feminino de esportes de praia do mundo.
O evento reúne atletas amadoras e profissionais em provas de natação em mar aberto e corridas na areia. São mulheres de diferentes idades e trajetórias que encontram no esporte um caminho para superar doenças, enfrentar desafios pessoais e conquistar novos espaços na sociedade.
A edição deste ano, que ocorre com a realização da Effect Sport, consolida o crescimento do evento no cenário nacional. A prova reúne atletas de diversos estados brasileiros e também participantes estrangeiras, reforçando seu alcance nacional e projeção internacional.

O Rainha do Mar chega à sua 5ª edição consolidado como um movimento que vai além da competição: um espaço seguro, estruturado e pensado para que as mulheres sejam protagonistas na praia, no esporte e nos seus próprios desafios.

Histórias do Rainha do Mar

Entre as atletas inscritas, algumas histórias mostram como o esporte pode transformar trajetórias pessoais — e como o mar acaba se tornando um espaço de superação e recomeço para muitas mulheres.
Karine Garcia Gonçalves de Carvalho - Professora de educação física, Karine descobriu durante a pandemia um tumor atrás do útero. Sem conseguir realizar a cirurgia naquele momento por causa do impacto da Covid-19 no sistema de saúde, precisou conviver por meses com a doença.
 
Karine Gonçalves e sua mãe, Roberta Gonçalves, no Rainha do Mar  - Foto: Arquivo pessoal
Karine Gonçalves e sua mãe, Roberta Gonçalves, no Rainha do Mar Foto: Arquivo pessoal
Durante esse período, o tumor cresceu de 6 cm para 30 cm, provocando dores intensas e hemorragias. Cinco médicos chegaram a recomendar a retirada total do útero, o que colocaria em risco seu sonho de ser mãe.
Após a cirurgia, que retirou apenas o tumor e o ovário esquerdo, preservando o útero, Karine também venceu um quadro de depressão e encontrou na natação em mar aberto um caminho de recuperação física e emocional.
De volta às provas, decidiu transformar a experiência em algo ainda mais simbólico: incentivou a própria mãe, Roberta Garcia Gonçalves Carvalho, de 58 anos, que nunca havia nadado, a aprender para que pudessem competir juntas no Rainha do Mar.
"Eu lutei para continuar tendo a possibilidade de ser mãe. Hoje já somos duas gerações no mar. E, num futuro, quem sabe, serão três gerações nadando o Rainha do Mar", disse Karine.
Fabiana Thomé de Paula - Fabiana encontrou no mar um processo de superação pessoal. Apesar de nadar bem em piscina, enfrentou crises de pânico em suas primeiras provas em mar aberto, principalmente pela experiência de nadar cercada por muitas pessoas
Fabiana em ação nas águas de Copacabana - Foto: Arquivo pessoal
Fabiana em ação nas águas de CopacabanaFoto: Arquivo pessoal
Mesmo assim, completou as provas e seguiu treinando até que o medo se tornasse administrável. Com o tempo, passou a encarar distâncias maiores e encontrou no Rainha do Mar um simbolismo especial por ser uma prova dedicada exclusivamente às mulheres.
"Sempre que nado essa prova, eu penso em todas as mulheres que trabalham, são mães, cuidam da casa, superaram alguma doença e, mesmo com todas as dificuldades, tiram um tempo do dia para se dedicar exclusivamente a si. Me sinto orgulhosa de nadar ao lado delas", contou Fabiana.

Modalidades e programação

Nesta edição, serão quatro distâncias nas provas de águas abertas: Challenge (4 km), Classic (2 km), Sprint (1 km) e Open (500 m). A programação também inclui o Beach Run, nas versões de 2,5 km e 5 km, além do Beach Biathlon, que combina 1 km de natação com 2,5 km de corrida na areia.
7h | Open 500m (natação no mar)
7h20 | Beach Run 2,5k e 5k (corrida na areia)
7h30 | Beach Biathlon (1,5km de natação no mar e 2,5k de corrida na areia)
8h | Sprint 1k (natação no mar)
8h20 | Classic 2k (natação no mar)
8h50 | Challenge 4k (natação no mar)