Zico ex- jogador do Flamengo recebeu nesta terça-feira(09), no Centro do Rio, o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Candido Mendes, tornando-se o primeiro esportista a receber a honraria em 100 anos de instituição. fotos de Neemias Gonzaga/Parceiro/Agência O Dia
Em entrevista, Zico analisou o trabalho de base do Flamengo e a saída precoce de jovens talentos, falou sobre Neymar e a escassez de camisas 10 no futebol atual, projetou a disputa entre Flamengo e Palmeiras pelo Brasileirão e uma possível final brasileira na Libertadores. O Galinho também revelou como pretende contribuir com o futebol ao passar sua experiência para as novas gerações e comentou a honra de receber o título de Doutor Honoris Causa.
Base do Flamengo e saída de jovens
Foi uma filosofia que deu certo em 2019. Lógico, aquilo que dá certo muitas vezes as pessoas seguem, não querem mudar. Mas eu acho que o Flamengo faz um trabalho de base muito bom. Temos que ver também a questão de como está a mente dos jovens, porque hoje a maioria não pensa muito em jogar no primeiro time do Brasil. Eles pensam em ir para fora e, muitas vezes, são orientados a isso, porque lá têm mais chances do que no futebol brasileiro. Eles têm mais chance de chegar à Seleção jogando lá fora, porque a maioria dos convocados atua no exterior”, disse.
Neymar e a falta de camisas 10
“O Neymar, por ser a grande referência, foi colocado como 10 e, por isso, todo mundo esperava que ele pudesse desempenhar essa função. Ele é aquele jogador que joga em qualquer lugar, mas o auge sempre foi pelo canto, pelo lado esquerdo, onde despontou. Se tivesse começado no meio, jogando por ali, seria uma situação diferente. A gente teve jogadores como Kaká, Rivaldo e Gaúcho, que jogaram o tempo todo nessa posição. Então, fica muito mais fácil. Isso é o que a gente não vê hoje, porque essas posições também acabaram. Não foi só no Brasil, acabaram no mundo. Hoje prevalecem os jogadores de canto, os atacantes e os caras de meio. Mas aquele camisa 10 organizador, que organiza, deixa o companheiro na cara do gol e também faz gol, você não tem no mundo inteiro. Não é só no Brasil.”
Flamengo x Palmeiras no Brasileirão
“É, eu acho que era, já era esperado, né? Não é nenhuma novidade de tudo aquilo que vem acontecendo nesses últimos anos entre Flamengo e Palmeiras. Então, é lógico que numa reta final pode acontecer de um dos times desses que tão aí na briga chegarem também. Mas hoje tudo leva a crer que a disputa vai ficar entre Flamengo e Palmeiras mesmo.”
Fla-Flu na final da Libertadores
“É possível que ocorra um Fla x Flu na final, ou até mesmo uma repetição de Flamengo e Palmeiras. Eu acho que, na América do Sul, o futebol brasileiro tá muito bem e os resultados provam isso, das últimas conquistas. E eu acho que esse ano pode acontecer de novo, mais uma final brasileira”, afirmou o Galinho.
A vez das novas gerações
“Ah, eu acho que já contribuí bastante. Agora eu tenho que passar pras novas gerações aqui a minha experiência de vida e tal. Não posso mais, não tô mais com tempo pra me dedicar ao futebol como eu me dediquei a minha vida inteira”, explicou o ex-10.
Agora, Doutor Zico
“É uma responsabilidade grande, né? Mas eu acho que a gente fica feliz de poder ser reconhecido, primeiro aí em vida, de toda a dedicação que eu tive na profissão que eu escolhi, a forma como eu fui educado pelos meus pais, que me ensinaram não só a fazer o que for melhor dentro daquilo que você escolhe, mas também se tornar um cidadão do bem… E eu, sendo homenageado agora depois de tantos anos de futebol, mas apesar de tá ainda dentro do futebol, ser reconhecido como cidadão, isso é gratificante”, disse Doutor Zico.
Do Galinho ao Samurai e ao Doutor
“Eu saí de Galinho pra Samurai e agora saí do jogador pra doutor. É, eu acho que é gratificante, né? A gente trabalha nunca com o intuito de mais à frente receber homenagem, essas coisas. Faz por amor a uma profissão, por ter nascido com um dom, com um talento, mas ter feito coisas importantes também ser importante para outras pessoas também em outras áreas, porque o futebol atinge um público muito grande e com isso faz você se tornar uma referência. E é preciso ter muito cuidado com tudo isso, porque qualquer erro, você tá influenciando muita gente. Então, é uma coisa que eu sempre me preocupei com isso, né, de não diferenciar o cidadão do jogador de futebol, do treinador, do diretor, enfim, é tudo uma coisa só.” completou.


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