Coronel Nunes foi presidente da CBF durante período conturbado da entidadeLeandro Lopes / CBF

Antônio Carlos Nunes, o Coronel Nunes, morreu neste domingo (13), aos 87 anos, em Belém. O segundo dirigente falecido no fim de semana teve uma longa trajetória no futebol paraense, sendo presidente da CBF, assim como um dos vices, e da Federação Paraense de Futebol (FPF).
Ele estava internado em um hospital particular, em Belém (PA), devido a uma complicação em uma cirurgia na cabeça para retirada de um tumor. O velório ocorre ainda neste domingo e o sepultamento está marcado para a manhã de segunda-feira (14).

Quem foi Coronel Nunes

Natural de Monte Alegre, no oeste do Pará, o dirigente começou no futebol pelo Paysandu, seu clube do coração. Antes, seguiu a carreira como militar, até a década de 1980, quando tornou-se conselheiro e depois diretor de futebol.
E a partir de 1998 ele assumiu a presidência da Federação Paraense de Futebol, onde permaneceu no cargo até 2016, período em que também se aproximou da direção da CBF.

O caminho até a presidência da CBF

Nunes chegou à vice-presidência da entidade numa manobra do então presidente, Marco Polo Del Nero. Ele foi nomeado por causa da idade, para assumir o lugar do aliado, envolvido em acusação de corrupção que o faria ser afastado do cargo.
Na época, o estatuto da CBF dizia que o vice-presidente mais velho assumiria internamente até uma nova eleição. Foi o que aconteceu em 2016.
No ano seguinte, Coronel Nunes teve o cargo confirmado, onde ficou até abril de 2019. E voltaria a assumir rapidamente em 2021, durante suspensão de Rogerio Caboclo, acusado de assédio por uma funcionária.

Polêmicas durante a gestão

A sua passagem como presidente da CBF ficou marcada por algumas gafes e polêmicas. Em uma delas, foi barrado da festa de lançamento da Copa do Nordeste de 2018 porque se recusou a colocar uma pulseira de identificação dos convidados.
Mas o episódio mais marcante gerou um grande mal-estar da CBF com seus aliados do continente. Na votação para a escolha da sede da Copa do Mundo de 2026, Coronel Nunes não cumpriu com o acordo com as outras confederações e votou em Marrocos, em vez da candidatura conjunta de Estados Unidos, México e Canadá.
O dirigente acreditava que o voto seria secreto e foi pego de surpresa com a divulgação do seu motivo de preferir o país africano: sediar o torneio pela primeira vez.
"A CBF lamenta o falecimento do coronel Nunes, com uma história pautada pelo fortalecimento do futebol no seu Estado, Pará, e no Brasil. Neste momento de profunda dor e tristeza, manifestamos nossos sentimentos aos seus familiares e amigos" diz o comunicado da entidade assinado pelo atual presidente, Samir Xaud.