Rio - O Neymar showman, adepto da filosofia "ousadia e alegria", pediu substituição para o jogo desta sexta-feira, contra a Colômbia. A partir de agora, a torcida assistirá à versão pragmática do camisa 10 da seleção brasileira. Num discurso à la Carlos Alberto Parreira, o craque deu um bico na expectativa do público que pagou caro para ver espetáculo na Copa. De acordo com o atacante, o importante é vencer as quartas de final e, no fim, ser campeão.
Contra Camarões, por exemplo, Neymar distribuiu lençóis, que foram comemorados como gols pelos torcedores. Desta vez, porém, o menino dos dribles bonitos quer apenas a classificação.
"Eu não quero jogar nada nesse jogo. Quero que a Seleção ganhe por 1 a 0 e se classifique. Não quero ser artilheiro, não busco isso. Quero que a Seleção brilhe", disse Neymar.
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O coordenador-técnico da Seleção é, historicamente, um dos principais responsáveis pela mudança de paradigma no futebol brasileiro. Depois de sucessivos traumas, o maior deles em 1982, a Seleção finalmente conquistou o tetracampeonato sob o comando de Parreira, que armou uma equipe para jogar pelo resultado, apoiada no talento de Bebeto e Romário. Desde então, o confronto entre os defensores do futebol-arte e da objetividade virou um Brasil e Argentina ideológico. Neymar, representante do primeiro estilo, defende o segundo no discurso.
“Alegria sempre teve. Vocês não veem porque não estão em campo. Nosso comprometimento é muito grande. Não é só festa, quatro, cinco a zero. O time que se compromete mais vence”, disse o Neymar pragmático. E emendou: “Não quero dar show, espetáculo, chapéu, caneta, fazer todo mundo rir. Meio a zero vale.”
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Neymar tenta imprimir maturidade a seu discurso e cita o pai, com quem aprendeu que “treino é jogo, e jogo é guerra.” Mas, de vez em quando, ainda lembra o moleque de quem todos esperam travessuras em campo.
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“Temos que jogar como se fosse contra um amigo. Ninguém quer perder, porque ele vai te zoar. Eu pensei assim contra o Chile. Se perdesse, o Alexis Sánchez me zoaria. Agora eu é que vou zoar. Temos que carregar a responsabilidade, mas levo na brincadeira”, concluiu. E tomara que ele zoe o James Rodríguez, com direito a caneta, lençol...
Duelo de garotos talentosos
De um lado do ringue, Neymar, 22 anos, 1,75m, 65kg e quatro gols. Do outro, o colombiano James Rodríguez, 22, 1,80m, 72kg, cinco gols e sensação da Copa. Quem vai levar a melhor nesta sexta-feira? Do duelo de pesos pesados, ao menos no prestígio, sai um dos semifinalistas do Mundial.
O brasileiro se esquiva das comparações e se mantém de guarda alta, mas espera desferir o golpe final na hora certa. Neymar vê algumas semelhanças com o rival, além da idade e da alegria em balançar a rede. Mas espera fazê-lo beijar a lona do Castelão:
“James é excelente jogador. A Colômbia é uma grande equipe, que vem ganhando tudo. Mas espero que o ciclo de James acabe e o da Seleção continue. Com todo respeito, claro.”
Para Neymar, futebol não tem idade: “Experiência ajuda, mas tenho 22 anos e já passei por muitas coisas na vida. Tem de chegar e jogar bola.”