França e Croácia disputam a final da Copa do Mundo de olho na eternidade

Franceses querem o bi mundial. Já os croatas sonham bater os rivais pela primeira vez na busca pelo título inédito

Por ALYSSON CARDINALI

Mbappé e Modric são as esperanças de França e Croácia na decisão da Copa
Mbappé e Modric são as esperanças de França e Croácia na decisão da Copa -

Rússia - Um duelo recente — têm apenas 20 anos —, mas que vai entrar definitivamente para a história do futebol. Quando França e Croácia pisarem o gramado do Estádio Lujniki, neste domingo, às 12 horas, em Moscou, darão início apenas ao sexto confronto entre as duas seleções ao longo do tempo, mas um passo fundamental rumo à eternidade. Com méritos, vão decidir uma Copa do Mundo, missão que 13 países já tiveram a honra de cumprir — apenas oito deles com sucesso.

A França, diga-se de passagem, é um deles. Campeões mundiais em 1998, após baterem o Brasil, com autoridade, por 3 a 0, os 'Bleus' sonham com o bicampeonato sem esquecer o passado. Afinal, naquela histórica conquista, tiveram na Croácia, então em seu primeiro Mundial como país independente da Iugoslávia, um adversário de peso na luta pela taça.

VIRADA INESQUECÍVEL

As duas equipes fizeram uma das semifinais e a equipe dos Balcãs abriu o placar logo a 1 minuto do segundo tempo, com Suker, artilheiro da competição, com seis gols. O pânico no Stade de France só não foi maior porque, um minuto depois, Thuram, que falhara na marcação ao camisa 9 adversário, empatou. O mesmo Thuram, aos 25, decretou a virada dos donos da casa e tornou-se o herói improvável daquela heroica vitória.

O Mundial de 1998, que teve em Zidane o grande astro, é, até o momento, o ápice do futebol francês, semifinalista na Suécia (1958), graças aos 13 gols de Just Fontaine; na Espanha (1982) e no México (1986), onde sobressaiu o talento da geração de Platini; além do vice-campeonato na Alemanha (2006). Os croatas só voltariam a cruzar o caminho da França em um jogo oficial na primeira fase da Eurocopa de 2004, em Portugal. O empate em 2 a 2, em Coimbra, só beneficiou os gauleses, que avançaram à segunda fase.

CHANCE DE OURO

Já a Croácia conta com o talento de Modric, Rakitic e Mandzukic para, enfim, derrotar a França — além dos duelos pelo Mundial e pela Euro, houve mais três amistosos, com duas vitórias dos Bleus e um empate. Felizes por terem superado o feito de Suker, Boban e Prosinek em Copas — levaram o país ao terceiro lugar em 1998 —, a nova geração croata terá a chance de ouro para colocar a seleção no seleto grupo de campeões mundiais, ao lado de Brasil (5), Alemanha (4), Itália (4), Argentina (2), Uruguai (2), França (1), Inglaterra (1) e Espanha (1).

O retrospecto na principal competição de futebol do planeta não é dos mais animadores — fora o terceiro lugar de duas décadas atrás, a Croácia disputou mais três Mundiais, em 2002, 2006 e 2014, mas não passou da primeira fase. Nada, porém, que abale a confiança dos comandados do técnico Zlatko Dalic, que, na Rússia, fazem do poder de superação uma de suas armas — vêm de três prorrogações. Eles estão prontos para dar a vida na busca pelo título e entrar na história da Croácia após sua primeira final de Mundial.

ÍCONES DO FUTEBOL MUNDIAL

Didier Deschamps e Davor Suker foram símbolos dos feitos de suas equipes na Copa de 1998. Capitão da geração comandada por Zidane, Deschamps ergueu a taça de campeão mundial, após os 3 a 0 sobre o Brasil, no Stade de France. O matador Suker, com seu faro de gol aguçado, foi o artilheiro máximo da competição, com seis gols. Dois ícones que também fazem história na Rússia.

Atual técnico da França, Deschamps espera voltar a erguer a taça para entrar no seleto grupo de campeões mundiais como jogador e treinador, ao lado de Zagallo e Beckenbauer. Suker, presidente da Federação Croata e reeleito, em dezembro, para mais um período de quatro anos, sonha, como dirigente, ver seu país no topo do futebol mundial. Quem leva a melhor dessa vez?