Estádio de Toronto, no CanadáCole Burston / AFP
Um deles foi o carioca Bruno Rocha, de 23 anos. Ao DIA, ele contou detalhes sobre a sua experiência em trabalhar no estádio de Toronto para auxiliar no maior campeonato de futebol do planeta. Ele está na cidade desde o início do ano, com o objetivo de buscar um curso profissionalizante e se inserir no mercado de trabalho local. O brasileiro contou que a oportunidade surgiu de uma forma bem "sutil".
"Foi um grupo de WhatsApp onde as pessoas procuram empregos e coisas para vender. Eu acabei vendo uma pessoa botando uma vaga lá que precisava para a Copa do Mundo, e tinha que enviar uma ficha no e-mail. Eu acabei fazendo essa ficha, mandando o e-mail, e deu tudo certo. Acabou que fui relacionado para trabalhar na Copa", afirmou.
Bruno trabalhou no jogo entre Canadá e Bósnia, no último dia 12 de junho, partida que marcou a estreia dos canadenses em casa na Copa do Mundo e terminou empatada em 1 a 1. O brasileiro ficou na parte da limpeza e descreveu seu trabalho como "bem tranquilo".
"Não tinha muito lixo no chão. Tinha mais bituca de cigarro. Isso daí não tem como fugir, a galera que fuma. Então, antes, tem que dar a limpada também, tirar a bituca de cigarro. Mas tinha pouco lixo, um copo de plástico aqui ou ali. Talvez é porque a pessoa deixa em cima, ele esquece e voa, aí cai no chão. Mas o pessoal foi muito educado, todo mundo na esportiva."
A sensação de fazer parte da Copa do Mundo foi indescritível, na avaliação de Bruno. "Foi muito irado, de verdade. A galera com emoção, foi muito legal. Eu fiquei mais na parte de fora do estádio. De vez em quando, eu podia entrar ali e ficar perto do gramado. Não conseguia ver o jogo muito bem, mas mesmo assim, dava", afirmou.
O turno dele foi das 11h às 19h, enquanto a partida se iniciou às 15h (horário local). "A gente já tinha que fazer um esquema ali, deixar tudo nos preparativos, tudo limpinho. Depois, tem o pós também, que é limpar tudo. Então, foi de boa, bem organizado."
Ele explica que só não marcou presença em outros confrontos devido a uma quebra de contrato da empresa.
"Eu só não continuei trabalhando nos próximos porque a empresa que me contratou, que fez convênio com a com a Fifa, quebrou o contrato por causa de erros que tiveram em outro dia, que não foi do meu turno. Um funcionário da empresa que eu estava trabalhando reclamou de maus-tratos lá, coisa que comigo não teve, mas tiveram pessoas que reclamaram de maus-tratos, por parte da galera da Fifa, e o pessoal da empresa optou por quebrar o contrato. Eu acho que foi algo muito sério, para quebrar o contrato com a Fifa", ponderou.
O estádio de Toronto, chamado oficialmente de BMO Field, foi inaugurado em 2007 e tem capacidade para 45 mil pessoas. É a casa do Toronto FC, que disputa a Major League Soccer (MLS), principal liga de futebol norte-americana. Já a cidade é a mais populosa do Canadá, com cerca de 2,8 milhões de habitantes.
'Energia mudou completamente'
"A energia mudou completamente, antes e depois da Copa começar. Deu para ver que a galera estava em peso aqui, cada time que representava o seu país. Os canadenses estavam em peso no estádio. Não tinham tantos torcedores da Bósnia, mas mesmo assim, tinham alguns. Parecia até jogo de beisebol [um dos esportes mais populares do Canadá], só que era futebol", disse.
"A rua também ficou lotada. Pacificamente, lógico. Tinham várias áreas com telões. Na CN Tower [uma das atrações turísticas da cidade], no bairro de Liberty Village, no Lake Shore, na beira do lago... E tá todo mundo no clima. Estou vendo pessoas de camisa, botando bandeira no carro. A cidade inteira mudou. Terminal de ônibus, ponto de metrô, ficou tudo com decoração da Copa", explicou.
Além de Canadá 1x1 Bósnia, a arena também recebeu, no Mundial, os seguintes jogos: Gana 1x0 Panamá, em 17 de junho; Alemanha 2x1 Costa do Marfim, em 20 de junho; Panamá 0x1 Croácia, em 23 de junho; Senegal 5x0 Iraque, em 26 de junho; e Portugal 2x1 Croácia, no último dia 2 de julho, este pelas oitavas e final.






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