Wallace Yan fez o terceiro gol do Flamengo na vitória sobre o Chelsea por 3 a 1, nesta sexta-feira (20), no Mundial de ClubesGilvan de Souza / Flamengo

Há despedidas que se fazem com números. Outras, com memória. Gonzalo Plata e Wallace Yan deixam o Flamengo por caminhos diferentes, mas levam consigo uma pequena página da história recente do clube.

Plata chegou em 2024, comprado ao Al-Sadd por investimento total de cerca de R$ 69 milhões. Em quase 100 partidas, marcou nove gols e distribuiu 13 assistências. O equatoriano teve altos e baixos, mas deixou uma assinatura inesquecível: o gol na final da Copa do Brasil de 2024, diante do Atlético-MG, que ajudou a selar o título. Também participou das conquistas da Libertadores e do Brasileirão de 2025, além de outros troféus. Agora, o Dínamo de Moscou desembolsa € 12 milhões, aproximadamente R$ 72 milhões, numa operação superior ao investimento rubro-negro.

Wallace Yan percorreu estrada diferente. Cria do Ninho, encontrou no profissional a porta que tantos sonham abrir. Foram 49 jogos, sete gols e cinco assistências. Em 2025, explodiu como promessa, com sete gols e quatro assistências na temporada. O menino também foi campeão da Libertadores e do Brasileirão.

E há uma lembrança que costura os dois destinos: o Mundial de Clubes. Contra o Chelsea, Plata arrancou pela direita, levou a defesa consigo e deixou a bola viva para Wallace Yan concluir. O garoto marcou o terceiro gol da vitória por 3 a 1. Foi um gol de juventude, velocidade e parceria — uma jogada construída por um e eternizada pelo outro.

O atacante equatoriano Gonzalo Plata foi o autor do gol do título rubro-negro na Arena MRV, em Minas - DOUGLAS MAGNO / AFP
O atacante equatoriano Gonzalo Plata foi o autor do gol do título rubro-negro na Arena MRV, em MinasDOUGLAS MAGNO / AFP

Agora, Plata parte para a Rússia por €12 milhões. Yan segue para o Bragantino por € 6 milhões, referentes a 70% dos direitos, enquanto o Flamengo conserva 30% e ainda recebe um atleta da base paulista.

O futebol é assim: às vezes separa quem dividiu o mesmo sonho. Mas não separa a lembrança. E, no Flamengo, Plata e Wallace Yan deixam mais do que números: deixam imagens que o tempo não apaga.