Joaquín Freitas é titular do River PlateAFP
O que talvez ainda não esteja sendo percebido é que o Flamengo começa a desenhar uma nova mentalidade. Uma mentalidade que olha para a América do Sul não apenas como território de passagem, mas como um grande celeiro de talentos a ser descoberto antes que os olhos cobiçosos da Europa alcancem esses jogadores.
Durante décadas, Real Madrid, Barcelona e outros gigantes europeus acostumaram-se a olhar para a América do Sul como quem contempla uma mina de ouro. Os talentos surgiam, brilhavam e, cedo ou tarde, atravessavam o oceano. Agora, porém, o Flamengo começa a ensaiar outro movimento: observar antes, apostar antes e contratar antes.
Se essa política continuar, o Flamengo poderá transformar-se em uma espécie de ponte invertida: em vez de perder imediatamente suas maiores promessas para a Europa, poderá ser o clube que identifica essas joias ainda no estado bruto, lapida-as e lhes oferece um palco de grandeza dentro da própria América do Sul.
E há algo de profundamente simbólico nisso. O Flamengo, que durante tanto tempo disputou jogadores com os grandes clubes brasileiros, começa a olhar para uma fronteira muito maior. A fronteira do mercado sul-americano.
Real Madrid e Barcelona talvez ainda não tenham percebido, mas o mapa da disputa pode estar mudando. Os gigantes europeus continuam sendo gigantes. Mas, se o Flamengo insistir nesse caminho, terão diante de si um novo adversário na corrida pelos jovens talentos sul-americanos.
Um adversário vestido de vermelho e preto, que aprendeu que, no futebol, quem chega primeiro muitas vezes não precisa correr atrás.

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